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Médica morta em perseguição policial no Rio é lembrada como 'força da natureza' e referência na saúde feminina

Andrea Marins Dias, de 61 anos, foi baleada em Cascadura; amiga relata trajetória dedicada às mulheres e diz que morte por “carro confundido” deixa “ausência inconfundível”

Agência O Globo - 17/03/2026
Médica morta em perseguição policial no Rio é lembrada como 'força da natureza' e referência na saúde feminina
Médica morta em perseguição policial no Rio é lembrada como 'força da natureza' e referência na saúde feminina - Foto: Reprodução / Instagram

"A gente nunca imagina que o 'até logo' será o último. O Rio de Janeiro nos roubou não apenas uma médica, mas uma força da natureza." Assim descreveu a médica Cristhiane Pinto, em uma rede social, ao lamentar a perda da amiga Andrea Marins Dias, de 61 anos, vítima de um tiro durante perseguição policial do 9º BPM (Rocha Miranda) a suspeitos, em Cascadura, na Zona Norte do Rio.

Trajetória dedicada à saúde feminina

Ginecologista e cirurgiã, Andrea tinha 32 anos de formação e dedicou 27 deles ao cuidado da saúde feminina. Em uma gravação publicada nas redes sociais, ela própria definiu sua missão: "Resolvi que seria um desafio para ajudar as mulheres. Valorizar a dor das mulheres". Ao longo da carreira, teve passagens pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), pelo Hospital Federal Cardoso Fontes e pela Unimed de Nova Iguaçu, onde também atuou.

No desabafo, Cristhiane relembrou a trajetória da amiga: “Uma mulher que desafiou estatísticas todos os dias para se tornar o que era: preta, mãe solo dedicada e o porto seguro de seus pais idosos”. Sobre a personalidade de Andrea, destacou: "Ela passando longe daquela 'perfeição' de comercial; era visceral, intensa e real. Falava alto, falava um palavrão a cada três frases e soltava a voz desafinada como se estivesse em um palco".

Ausência inconfundível

A amiga também destacou o contexto trágico da morte: "O destino foi cruel e cego. No caminho do afeto, indo visitar a família, teve uma trajetória interrompida porque seu carro foi 'confundido'. Um erro absurdo que não foi dela, mas que deixa uma ausência inconfundível para quem fica".

O impacto da perda foi profundo: “A medicina perde uma profissional batalhadora, os pais perdem o arrimo, e sua filha perde o mundo”. Em tom pessoal, Cristhiane completou: “Eu perco a companheira de rotina que me irritava com suas doideiras e agora me deixa em um silêncio que machuca muito mais que qualquer grito dela”.

Ao final, ela se despediu: “Obrigada por cada risada, pelos sustos e pela parceria”. Cristhiane Pinto, autora do desabafo, também é médica e atua na área de cuidados paliativos.