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Cariocas apoiam reforço na segurança, mas pedem ajustes em horários e expansão da Força Municipais para outros bairros

Programa começa com patrulhamento na Zona Sul e no Centro; comerciantes pedem presença de agentes em horários considerados mais críticos

Agência O Globo - 16/03/2026
Cariocas apoiam reforço na segurança, mas pedem ajustes em horários e expansão da Força Municipais para outros bairros
- Foto: Reprodução

A Força Municipal de Segurança, tropa de elite da Guarda Municipal do Rio, fez sua estreia nas ruas ontem com a missão de coibir roubos e furtos no Jardim de Alah, em Ipanema, Zona Sul, e no entorno do Terminal Gentileza e da rodoviária, na região Portuária. A presença de agentes, armados e com câmeras corporais, foi elogiada pela população, mas também suscitou cobranças por integração maior com as forças estaduais para reforçar o policiamento em outros horários e locais da cidade.

Da execução de inimigos à tomada de favelas:

Após perder territórios:

No Leblon, em alguns momentos, membros da Força Municipal e do programa Segurança Presente foram vistos nas mesmas áreas. Outra observação feita sobre a atuação dos agentes armados diz respeito ao horário de funcionamento. No Leblon, lojistas e moradores foram unânimes em sugestão a preferência pelo monitoramento ostensivo a partir das 18h, momento considerado crítico tanto para roubos a pedestres quanto para furtos de produtos do comércio local.

Na esquina das avenidas Afrânio de Melo Franco e Ataulfo ​​de Paiva, no Leblon, o jornaleiro Felipe Gomes, que há dez anos trabalha no local, disse ver com bons olhos a chegada de novos agentes. No entanto, ele destacou que o momento mais crítico ocorre quando a viatura do programa Zona Sul Presente deixa a esquina. É nessa hora que os casos de furtos e roubos aumentam:

— Sei que as pessoas acham que, por estarmos em um dos pontos mais privilegiados da Zona Sul, não falamos por esse tipo de situação. Mas aqui é direto. Eles ficam rondando as pessoas e os comércios. Furto de celular acontece aos montes. Passam de moto ou bicicleta e levam o aparelho. Aqui levam até caixas de incenso, chinelos e o que mais estiver pendurado. Cheguei ao ponto de deixar um pedaço de madeira aqui para intimidá-los.

Uma funcionária de uma farmácia em Ataulfo ​​de Paiva, que preferiu não se identificar, disse que os comerciantes da região vivem em constante medo ao anoitecer. Além dos furtos, as autoridades relatam ameaças frequentes. Ela contou que espera que o novo programa ajude a melhorar a segurança nas ruas do bairro.

— No domingo passado, quando eu estava fechando a loja, entrei dois meninos aqui. A única viatura estava em outra esquina, e não deu tempo de correr até lá. Eles já estavam dentro da loja. Se eu saísse, seria pior. Vieram para cima de mim. Eu estava com o telefone para ligar para a central da empresa e para a polícia. Eles vieram, mas depois voltaram e buscaram levar produtos. Queria que essa elite da guarda ficasse aqui depois das 18h, no horário em que estamos fechando — disse.

De tarde, agentes da Força Municipal conduziram um homem para os delegados. A equipe realizou o policiamento na Avenida Ataulfo ​​de Paiva, próximo ao Jardim de Alah quando avistou um homem dirigindo uma motocicleta sem placa. Ao abordarem o motociclista, foi constatado que ele não possuía carteira de habilitação. A ocorrência foi registrada na 14ª DP (Leblon).

Guardas para mais bairros

Já nos arredores da Rodoviária Novo Rio, o clima foi mais de surpresa com a novidade dos agentes armados nas ruas. Morador de Vaz Lobo, no subúrbio carioca, o funcionário público Roberto Macedo afirmou que houve ouvido “por alto” sobre o novo programa. Ele lembrou, porém, que a região da rodoviária sempre foi marcada por furtos frequentes. Apesar de apoiar a iniciativa, espera que a atuação não fique restrita ao Centro e à Zona Sul.

— É importante vermos essas iniciativas, mas tomara que a prefeitura olhe também para outros bairros. Madureira, Irajá e Vaz Lobo também têm assaltos aos montes e não é possível que isso não seja levado em consideração. Vamos torcer para que dê tudo certo dessa vez. O Rio precisa disso — disse.

Ajustes não econômicos e em horários

De acordo com a prefeitura, a nova tropa de elite vai atuar em locais e horários com maior índice de roubo e furto, inclusive com policiamento noturno: as primeiras 22 áreas já foram definidas. No lançamento do programa, tanto o prefeito Eduardo Paes quanto o secretário municipal de Segurança Urbana, Brenno Carnevale, afirmaram que a ideia da prefeitura é implantar o serviço de forma gradual, com ajustes no efetivo e nos horários de atuação sempre que necessário. Ontem, foi anunciado que em breve serão abertas novas 600 vagas para o treinamento de guardas municipais para a tropa armada.

Paes comentou sobre a falta de confiança da população do Rio em relação à segurança pública. Segundo ele, nos últimos anos diferentes governos apresentaram “soluções mágicas”, sem resultados eficazes.

— A população do Rio chegou a um momento em que parou de acreditar na possibilidade de a gente reverter essa situação. Mas é possível. Dá para fazer — afirmou.

Carnevale destacou que Recuperar a confiança da população é uma das principais indicações da Força Municipal. Segundo ele, os agentes passaram por seleção rigorosa, treinamento intensivo e atuam com monitoramento em tempo real por meio de câmeras corporais e rastreamento por GPS.

— O programa é focado principalmente no cotidiano das pessoas: onde elas circulam, estudam, trabalham, se divertem e utilizam o transporte público. São nesses lugares que a população sofre danos com furtos e roubos. Ao colocar nas ruas uma força bem formada, bem definida e com atuação transparente e estrategicamente planejada, damos às pessoas a possibilidade de voltar a confiar — afirmou.

Ainda de acordo com Carnevale, a atuação da Força Municipal será avaliada de forma contínua, com reuniões periódicas para analisar resultados e fazer ajustes necessários na estratégia de patrulhamento.