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Em decisão que soltou Salvino Oliveira, desembargador considera 'precário' conjunto de provas que liga vereador ao CV
O parlamentar foi preso na última quarta-feira e, na sexta, deixou o presídio José Frederico Marques, em Benfica, beneficiado por um habeas corpus
Acusado pela Polícia Civil de ter pedido autorização ao Comando Vermelho para fazer campanha eleitoral na favela Gardênia Azul, o vereador Salvino Oliveira (PSD) foi preso na última quarta-feira e, ontem, deixou o presídio José Frederico Marques, em Benfica, beneficiado por um habeas corpus expedido pela 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Entre um momento e outro, o parlamentar, alvo da Operação Contenção Red Legacy, deflagrada para investigar a estrutura nacional do CV, tornou-se o centro de uma brigada inflamada envolvendo o prefeito Eduardo Paes — de quem Salvino foi secretário municipal — e o governador Cláudio Castro.
Salvino Oliveira:
Prisão do vereador:
Na decisão pela soltura, o desembargador Marcus Basilio considerou “precário” o conjunto de acusações apontadas pela Polícia Civil para que o parlamentar permanecesse preso. No inquérito, o fato do político ser “cria” da Cidade de Deus e ter como slogan de campanha “Vereanças das Favelas do Rio” pesou para que ele fosse acusado de ligação com o tráfico de drogas. O relatório da Polícia Civil diz que “tal autodeclaração adquire especial relevância quando contextualizada com o histórico territorial da região, uma vez que a Cidade de Deus, em razão de seus limites com a Gardênia Azul, foi historicamente utilizada como base avançada e ponto de concentração logística para o encontro de criminosos do Comando Vermelho”.
'Não vai ficar assim'
Ao benefício, o desembargador determinou duas medidas cautelares: proibiu o vereador de se ausentar do Estado do Rio de Janeiro por mais de 15 dias sem autorização judicial e de ter comunicação com outros investigados. Na decisão, ainda foi relatado que "a prisão temporária (ou a preventiva) deve ser escorada não já apurada pela autoridade policial. Não se permite o inverso, ou seja, a prisão para permitir posterior apuração de um crime possível". Na saída do presídio, acompanhado de um advogado, Salvino Oliveira deu a entender que a tensão política provocada por sua prisão terá novos capítulos.
— Não pense que vai ficar assim. Esses que estão trabalhando de maneira tão esquisita para prender opositores políticos agora devem ser investigados. A gente vai cobrar que a Justiça alcance essas pessoas que me trataram desta maneira — declarou o vereador, antes de entrar no carro sem dar entrevistas.
Ontem, horas antes do acolhimento do habeas corpus, a Polícia Civil divulgou nota apresentando novas suspeitas contra o parlamentar que não constam no inquérito enviado à Justiça. De acordo com o documento, foram identificadas transações atípicas no segundo semestre de 2024: Salvino teria sido o beneficiário de valores provenientes de uma empresa de informática sediada no Complexo da Maré, região controlada pelo Comando Vermelho.
Ainda de acordo com a polícia, em apenas quatro meses o parlamentar recebeu créditos que ultrapassaram R$ 100 mil, incluindo 11 depósitos em dinheiro vivo. A corporação, no texto distribuído em suas redes sociais, menciona também movimentações financeiras suspeitas ligadas a um assessor do parlamentar e à esposa deste funcionário, identificada como “possível epicentro” de uma estrutura externa para lavagem de dinheiro. Só uma das empresas em nome da mulher movimentou mais de R$ 35 milhões em pouco mais de dois anos.
Nomes e outros detalhes não foram divulgados na nota, segundo a polícia, para não atrapalhar as investigações. Questionada se a prisão do avaliador e da mulher foi ou não solicitada, a corporação respondeu apenas que “a investigação está em andamento”. A defesa do vereador disse que a nota da polícia amplia as condições confusas da prisão do parlamentar ao descrever diversas condutas criminosas sem nomear os acusados e inclua a cada um as suas responsabilidades.
Embate político
A prisão de Salvino esquentou ainda mais o embate político entre Eduardo Paes (PSD) e Cláudio Castro (PL). O prefeito, na segunda-feira, publicou o seguinte post em sua conta no X: “Eu já até perdi a conta de quantos dirigentes do governo do Estado foram presos por ligação com o crime organizado”. Na terça-feira, o próprio Salvino, na tribuna da Câmara dos Vereadores, repetiu as críticas feitas pelo prefeito. No dia seguinte, com a prisão do vereador, o governador publicou na rede social o vídeo do parlamentar sendo detido em sua casa no Pechincha, na Zona Sudoeste. Na mesma postagem lê-se que a “Polícia Civil prendeu o braço direto do Comando Vermelho dentro da Prefeitura do Rio”.
Eleições:
Desde então, uma brigada escalou. Ontem, durante a solenidade de inauguração do novo setor de traumas do Hospital Federal do Andaraí, quando encontrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o prefeito disse que a operação responsável pela prisão do parlamentar tinha o objetivo de atingi-lo. Afirmou também que o uso político da polícia será denunciado à Procuradoria-Geral da República (PGR) — ou que em seguida foi confirmado pelo diretório do seu partido, o PSD —, à Polícia Federal (PF) e ao Supremo Tribunal Federal (STF).
— Quem vai enfrentá-los (nas eleições) sou eu. Se eles têm algum objetivo de me alcançar, que me investiguem, que me ataquem, que venham para cima de mim. Mas que não sejam covardes de ir para cima de um jovem vereador para tentar me atingir — disse Paes.
O Governo do Estado frisa que a prisão de Salvino exige critérios técnicos.
Colaborado Lucas Altino
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