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'O Bacellar me avisou': documento da PF aponta que TH Jóias confirmou alerta de deputado sobre operação

Informação consta de relatório que levou ao indiciamento de cinco pessoas acusadas de envolvimento com o tráfico de drogas

Agência O Globo - 27/02/2026
'O Bacellar me avisou': documento da PF aponta que TH Jóias confirmou alerta de deputado sobre operação
Thiego Raimundo

O ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Jóias, teria confirmado a Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão — apontado pela polícia como um dos chefes do Comando Vermelho — que foi avisado na véspera pelo presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), sobre a operação policial. A informação está detalhada no relatório da Polícia Federal que fundamentou o indiciamento, nesta sexta-feira, de TH Jóias e mais três pessoas no inquérito que apura o caso.

Bacellar exercia 'liderança do núcleo político' do Comando Vermelho, aponta relatório da PF.

Em conversa registrada no relatório, Gabriel relata: “A gente no TRF (na audiência de custódia), ele comentou comigo. Falei, ‘pô mano, você já sabia da operação?’ Ele, ‘pô, já sabia, pô. O Bacellar me avisou. O Bacellar me avisou e tal’.”

Thiego foi preso em setembro do ano passado, durante a Operação Zargun, juntamente com Índio do Lixão e mais 13 pessoas. A ação foi deflagrada pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público do Rio (MPRJ) e a Polícia Civil, por meio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco-RJ).

Entenda o caso

De acordo com as investigações, TH Jóias utilizava o mandato na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) para favorecer o crime organizado. Ele foi acusado de intermediar a compra e venda de drogas, fuzis e equipamentos antidrones destinados ao Complexo do Alemão, além de indicar a esposa de Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão, para um cargo parlamentar.

Três meses após a prisão de TH Jóias, no início de dezembro, Rodrigo Bacellar também foi preso e afastado da presidência da Alerj, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, sob suspeita de vazar informações sigilosas da investigação e de obstruir as investigações. Dias depois, a Alerj votou pelo relaxamento da prisão de Bacellar.