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Antes de ser preso, Bacellar já planejava equipe; Douglas Ruas seria secretário de Obras se eleito governador

PEx e atual presidente do Flamengo, desembargador e ex-capitão do Bope estavam entre os cotados para o secretariado

Agência O Globo - 27/02/2026
Antes de ser preso, Bacellar já planejava equipe; Douglas Ruas seria secretário de Obras se eleito governador
Antes de ser preso, Bacellar já planejava equipe; Douglas Ruas seria secretário de Obras se eleito governador - Foto: Reprodução

O presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar (União Brasil), atualmente licenciado do mandato, já havia esboçado a formação de um possível secretariado caso fosse escolhido pela base governista para disputar a sucessão do governador Cláudio Castro. O deputado estadual Douglas Ruas (PL), confirmado na última segunda-feira como pré-candidato governista ao Palácio Guanabara, era cogitado para assumir a Secretaria de Obras.

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Bacellar também havia definido opções para o cargo de vice-governador. Três nomes estavam entre os cotados: o ex-procurador-geral de Justiça do Rio, Marfan Vieira (2015-2017), o atual presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, e o ex-presidente do clube, Rodolfo Landim. O ex-capitão do Bope Rodrigo Pimentel, também pré-candidato ao governo, era citado como possível secretário de Segurança Pública, ao lado do ministro do Superior Tribunal de Justiça, Antônio Saldanha Palheiro.

O planejamento da equipe foi encontrado em um caderno de anotações de Bacellar, apreendido pela Polícia Federal durante as investigações que identificaram o vazamento de informações de uma operação realizada em setembro para prender o então deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Jóias (sem partido), acusado de tráfico de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de armas para o Comando Vermelho. As investigações apontam que Bacellar teria avisado TH Jóias na véspera da operação policial.

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Nesta sexta-feira, a Polícia Federal indiciou Bacellar, TH Jóias e mais três pessoas no inquérito que apura o caso. A lista de possíveis secretários foi mencionada no relatório que embasou a decisão. Atual secretário das Cidades do governo Castro, Douglas Ruas afirmou ter se surpreendido com a "escolha".

— Fiquei surpreso. Não tenho uma relação tão próxima com Rodrigo Bacellar e essa hipótese jamais chegou ao meu conhecimento pelo grupo político dele. No meu caso, sou pré-candidato ao governo. Antes de pensar em montar uma equipe, preciso primeiro ganhar a eleição — declarou Ruas.

Entre os nomes cogitados para o secretariado, destaca-se o ex-lutador Anderson Silva, o Aranha, considerado para a Secretaria Estadual de Esportes.

Bacellar chegou a ser o principal nome dos governistas para disputar a eleição, já que Castro está impedido de concorrer a um terceiro mandato consecutivo. Esta semana, o PL confirmou a intenção de lançá-lo ao Senado. Antes da operação policial, Bacellar já vinha se distanciando de Castro, processo iniciado quando assumiu interinamente o governo durante viagem do titular ao exterior e exonerou o então secretário estadual de Transportes, Washington Reis.

O deputado também planejava criar novas secretarias, incluindo uma dedicada exclusivamente a políticas públicas para comunidades e outra, a Secretaria da Capital, que seria entregue a um vereador.

Outros nomes cotados para o secretariado:

André Moura – Atual secretário de Governo. Sem cargo definido no novo desenho.

André Ceciliano – Ex-presidente da Alerj e atual secretário especial de Assuntos Parlamentares da União. Sem cargo definido.

Bruno Schettini – Secretário estadual de Planejamento. Atualmente, diretor da Companhia Paulista de Securitização. Já atuou no Rio Previdência e na Secretaria Estadual de Fazenda.

Luciano Vieira – Secretário de Trabalho, deputado federal e irmão do prefeito de São João de Meriti, Léo Vieira.