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Justiça Federal mantém prisão de Adilsinho após audiência de custódia

Contraventor, apontado como um dos mais procurados do estado, foi preso em mansão na Região dos Lagos; PM suspeito de integrar sua segurança também teve flagrante confirmado

Agência O Globo - 27/02/2026
Justiça Federal mantém prisão de Adilsinho após audiência de custódia
Justiça Federal mantém prisão de Adilsinho após audiência de custódia - Foto: Reprodução / Facebook

O juízo da 3ª Vara Criminal Federal confirmou, nesta sexta-feira, a validade da prisão do contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, em audiência de custódia realizada no prédio da Justiça Federal, no Centro do Rio. Segundo a TV Globo, o contraventor será transferido para um presídio federal. Na mesma oportunidade, também foi confirmada a prisão em flagrante do policial militar Diego D’Arribada Rebello de Lima. Os dois foram presos por policiais civis e federais da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado, nesta quinta-feira, em uma mansão em Cabo Frio, na Região dos Lagos. A operação contou ainda com o apoio do Serviço Aeropolicial e do Ministério Público Federal.

Contraventor

A história de Adilsinho:

Adilsinho tinha em seu nome cinco mandados de prisão expedidos pelas Justiças Federal e Estadual, por suspeitas de ordenar assassinatos e de envolvimento com a máfia de cigarros. Já o PM, suspeito de integrar a equipe de segurança do bicheiro, foi autuado em flagrante por favorecimento pessoal.

Adilsinho chegou algemado e escoltado por policiais federais para a audiência de custódia. O procedimento, marcado inicialmente para o meio-dia, só começou por volta das 13h e durou pouco mais de 50 minutos.

A prisão do bicheiro é apontada como desdobramento direto da Operação Libertatis II, deflagrada pela Polícia Federal para desarticular uma das maiores estruturas criminosas ligadas ao comércio ilegal de cigarros no estado. Adilsinho é investigado por crimes no Rio e em outras unidades da federação, incluindo homicídios e suspeitas de participação na chamada máfia dos cigarros.

Réu por quatro homicídios,

Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) e pela Polícia Civil, o contraventor, considerado o mais procurado do estado, havia passado o carnaval no Rio e, há pelo menos uma semana, estava na mansão onde foi localizado. Ele já havia escapado de duas tentativas anteriores de captura. Em uma delas, em outubro do ano passado, conseguiu fugir de um cerco policial montado no Itanhangá, na Zona Oeste da capital.

A transferência de Adilsinho para outro estado, solicitada à Justiça pela PF, segundo fontes ligadas à investigação, busca evitar riscos à segurança e possíveis interferências nas apurações em curso.

Réu em quatro processos por homicídio e organização criminosa, Adilsinho responde formalmente por cinco mortes e é alvo de inquéritos que apuram sua participação em pelo menos outros cinco assassinatos e um atentado. Em todos esses casos ainda em aberto — ligados à máfia do cigarro ou à disputa por pontos do jogo ilegal —, a polícia afirma ter reunido indícios de seu envolvimento, como trocas de mensagens e a participação de integrantes de sua escolta pessoal nas execuções. É o caso do assassinato do policial civil Carlos José Queirós Viana, morto em frente à sua casa, em Niterói, em outubro do ano passado. Cinco pessoas já estão presas pelo homicídio, entre elas um homem apontado na investigação como segurança pessoal de Adilsinho.

Outro assassinato em que a polícia identificou indícios da participação de Adilsinho é o de Cristiano Souza, dono de uma tabacaria, executado com mais de 30 tiros de fuzil por homens encapuzados em junho de 2023. A investigação aponta que a vítima era o principal distribuidor, no Rio, da marca R8 — concorrente direta dos cigarros vendidos pela quadrilha do bicheiro.

Nesta quinta-feira, o advogado Ricardo Braga, que defende o contraventor, afirmou que seu cliente fazia exercícios ao ar livre, por recomendação médica, quando foi preso por policiais civis e federais. Braga disse ainda que Adilsinho confia na Justiça e nega a autoria de todos os crimes investigados.