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Madrasta acusada de envenenar enteada vai a júri popular no Rio

Cíntia Mariano Dias Cabral também teria envenenado o irmão de Fernanda Cabral, que sobreviveu e denunciou o caso

Agência O Globo - 27/02/2026
Madrasta acusada de envenenar enteada vai a júri popular no Rio
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O julgamento de Cíntia Mariano Dias Cabral, acusada de matar por envenenamento a enteada Fernanda Cabral, de 22 anos, em 2022, está marcado para o próximo dia 4, no III Tribunal do Júri da Capital. Na mesma ocasião, Cíntia também teria colocado veneno na comida do irmão de Fernanda, à época com 16 anos, que foi internado, sobreviveu e denunciou o crime à polícia.

Segundo a denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), em 15 de março de 2022, a acusada teria colocado veneno na refeição servida a Fernanda. A jovem passou mal logo após comer, foi hospitalizada e morreu após 13 dias de internação. Em maio do mesmo ano, Cíntia teria repetido o método ao servir alimento contaminado ao enteado.

O Ministério Público sustenta que há provas da materialidade e autoria do crime. De acordo com os autos, as duas vítimas apresentaram sintomas compatíveis com intoxicação exógena por carbamato, princípio ativo do conhecido "chumbinho".

Laudos periciais confirmaram que a morte de Fernanda e as lesões sofridas por Bruno foram provocadas por envenenamento químico. A acusação também aponta que o crime foi motivado por ciúmes da relação das vítimas com o pai, Adeílson Jarbas Cabral, então marido de Cíntia.

O julgamento chegou a ser iniciado em outubro de 2025, mas foi adiado após a defesa de Cíntia deixar o plenário, alegando ausência de testemunha considerada imprescindível e falta de diligências.

Gosto amargo e pedrinhas azuis

Inicialmente, a morte de Fernanda foi tratada como mal súbito. O caso passou a ser investigado como homicídio após o irmão da jovem comer feijoada, passar mal e ser levado ao hospital. O adolescente relatou à polícia que o feijão tinha gosto amargo e apresentava pequenas pedrinhas azuis.

A partir desse relato, a Polícia Civil aprofundou as investigações sobre a morte de Fernanda. O corpo da jovem foi exumado e a perícia confirmou o envenenamento. Pouco depois, a Justiça decretou a prisão de Cíntia, que foi detida por policiais da 33ª DP (Realengo).