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Marielle: quanto Chiquinho Brazão recebeu dos cofres públicos desde o assassinato da vereadora
Condenado a 76 anos de prisão como um dos mandantes, ex-deputado acumulou cargos e salários no Legislativo e Executivo do Rio
O ex-deputado federal Chiquinho Brazão, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, recebeu ao menos R$ 4,5 milhões brutos dos cofres públicos entre março de 2018, data do crime, e abril do ano passado, quando teve o mandato cassado pela Câmara dos Deputados. O levantamento foi feito com base em dados dos portais de transparência da Câmara Municipal do Rio, da Prefeitura do Rio e da Câmara dos Deputados. Os valores não foram corrigidos pela inflação.
Na época do assassinato de Marielle, em 14 de março de 2018, Chiquinho ocupava o cargo de vereador no Rio. Ele permaneceu na função até renunciar para assumir uma vaga na Câmara dos Deputados, em Brasília, a partir de fevereiro de 2019. Considerando o subsídio mensal de R$ 15.031,46 à época, o então vereador recebeu R$ 182.861,79 do Legislativo carioca após o crime, incluindo 13º salário e metade dos vencimentos de março. O cálculo não inclui benefícios como vale-combustível, selos e diárias, cujos dados não estão mais disponíveis.
Chiquinho Brazão exerceu o mandato de deputado federal de fevereiro de 2019 até abril de 2024, quando foi cassado. Nesse período, recebeu o subsídio parlamentar, que era de R$ 33.763 em 2019 e subiu para R$ 46.366,19 em 2023. Ao todo, os salários somaram R$ 2.362.483, já considerando o 13º. Mesmo licenciado para ser secretário Especial de Ação Comunitária da Prefeitura do Rio por cerca de cinco meses (2023-2024), Chiquinho optou por continuar recebendo como parlamentar, conforme permitido pela legislação.
Além dos salários, Chiquinho Brazão utilizou mais de R$ 2 milhões em verba parlamentar na Câmara dos Deputados, destinada a despesas como divulgação do mandato, passagens aéreas Rio/Brasília/Rio, combustível e contas telefônicas dos gabinetes. O valor não inclui salários de até 25 assessores de livre nomeação e exoneração, direito de todo deputado.
Após 2.905 dias de espera, a Primeira Turma do STF condenou, por unanimidade, os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão a 76 anos e três meses de prisão pelo assassinato de Marielle Franco, de Anderson Gomes e por organização criminosa. O delegado Rivaldo Barbosa foi absolvido do homicídio, mas condenado por obstrução à justiça e corrupção passiva, totalizando 18 anos de pena.
O major da PM Ronald Paulo Alves foi condenado a 56 anos pelo duplo homicídio, incluindo a tentativa de homicídio contra a então assessora Fernanda Chaves. O ex-PM Robson Calixto Fonseca, conhecido como Peixe, recebeu pena de nove anos por organização criminosa. Todos os cinco réus deverão pagar indenização total de R$ 7 milhões às famílias das vítimas.
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