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Justiça avalia transferência de Adilsinho para presídio fora do Rio

Se o pedido da Polícia Federal for aceito, o bicheiro suspeito de homicídios e ligação com a máfia dos cigarros será encaminhado a uma penitenciária federal.

Agência O Globo - 26/02/2026
Justiça avalia transferência de Adilsinho para presídio fora do Rio
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Preso nesta quinta-feira (6), em uma mansão em Cabo Frio, na Região dos Lagos, por equipes da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO/RJ), o contraventor Adilson Coutinho Oliveira Filho, conhecido como Adilsinho, pode ser transferido para um presídio federal fora do Rio de Janeiro. O pedido foi apresentado à Justiça Federal pela Polícia Federal, que considera a medida necessária para garantir a ordem pública e a segurança do detento.

Pedido de transferência

A Justiça ainda não se manifestou sobre a solicitação. Adilsinho tem cinco mandados de prisão em aberto, relacionados a assassinatos e suspeitas de envolvimento com a máfia dos cigarros, e era considerado o contraventor mais procurado do estado. Segundo investigações da Polícia Federal e da Polícia Civil, ele passou o carnaval no Rio, mas há cerca de uma semana se mudou para a mansão onde foi capturado, acompanhado de um policial militar suspeito de atuar como seu segurança pessoal. A polícia já havia tentado prendê-lo em outras duas ocasiões, incluindo uma fuga em outubro do ano passado, durante cerco policial no Itanhangá, Zona Sudoeste do Rio.

Esquema de fuga e prisão

Após dois meses de monitoramento, Adilsinho foi detido em Cabo Frio. De acordo com as investigações, ele evitava permanecer muito tempo em um mesmo local, utilizava imóveis alugados e circulava entre áreas de fronteira, especialmente no Paraná e em Mato Grosso, para despistar as autoridades e manter contatos no mercado ilegal de cigarros.

Na residência, também foi preso o policial militar Diego Darribada Rebello de Lima, suspeito de integrar a equipe de segurança do contraventor. Apontado como um dos líderes do jogo do bicho no Rio, Adilsinho é considerado o maior produtor e distribuidor de cigarros falsificados do estado. A polícia afirma que ele expandiu suas operações para cerca de dez estados brasileiros, atuando no mercado ilegal de cigarros em pelo menos seis deles e operando com bingos, cassinos e um cassino on-line clandestino, que teria movimentado R$ 130 milhões em três anos.

Quem é Adilsinho

Adilsinho é investigado por dezenas de homicídios sob apuração das delegacias de homicídios da Capital, Baixada Fluminense e região de Niterói e São Gonçalo. As vítimas incluem rivais, desafetos, integrantes da máfia dos cigarros e até policiais.

Ligações com o carnaval e o samba

Um dos crimes investigados é a execução de Marco Antônio Figueiredo Martins, o Marquinho Catiri, homem de confiança do contraventor Bernardo Bello, assassinado em novembro de 2022. Segundo a polícia, os executores seriam pistoleiros ligados a Adilsinho.

Além do envolvimento com o crime, Adilsinho é patrono da Escola de Samba Salgueiro, que alcançou o quarto lugar no desfile do Grupo Especial do carnaval de 2026. Ele ganhou notoriedade em 2021 ao promover uma festa luxuosa de aniversário para 500 convidados no Copacabana Palace, em comemoração aos seus 51 anos.