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Adilsinho usava casas alugadas e deslocamentos constantes para despistar a polícia; ele foi monitorado por dois meses

Adilson Oliveira Coutinho Filho também contava com uma rede de policiais na equipe de segurança

Agência O Globo - 26/02/2026
Adilsinho usava casas alugadas e deslocamentos constantes para despistar a polícia; ele foi monitorado por dois meses
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, foi preso na manhã desta quinta-feira durante operação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco/RJ), com atuação da Polícia Federal e da Polícia Civil. Ele foi capturado em uma residência em Cabo Frio, na Região dos Lagos, após trabalho de inteligência. De acordo com a polícia, ele foi monitorado por cerca de dois meses. Durante esse período, os investigadores constataram que adotava uma estratégia para evitar a prisão: não permanecia por longos períodos em um mesmo local e optava por se hospedar em casas alugadas. Além disso, segundo as investigações, ele mantinha uma rede de policiais em sua equipe de segurança.

Quem é Adilsinho:

Adilsinho no carnaval:

Além da Região dos Lagos, onde foi preso, Adilsinho se deslocava com frequência para áreas de fronteira, principalmente no Paraná e em Mato Grosso. De acordo com a polícia, essa movimentação não tinha apenas o objetivo de despistar as autoridades, mas também fazia parte de uma estratégia para buscar fornecedores no mercado ilegal de cigarros.

Adilsinho é alvo de investigações por diversos crimes no Rio e em outros estados e estava foragido. Na casa onde ele se escondia, também foi preso um policial militar que, segundo informações preliminares, integrava a equipe de segurança do contraventor. A ação contou com o apoio do Serviço Aeropolicial.

Apesar de ter iniciado as atividades no Rio, Adilsinho já expandiu sua atuação para cerca de dez estados. Ele explora o mercado ilegal de cigarros em pelo menos seis estados e também atua com bingos e cassinos em outras regiões do país, inclusive no Nordeste.

Ele tinha um mandado de prisão em aberto expedido pela Justiça Federal e também era apontado como mandante de homicídios, sendo procurado pela Justiça. Havia cinco mandados de prisão preventiva em aberto contra ele, quatro por homicídio e um por organização criminosa. Segundo as investigações, ele foi o mandante do assassinato de Fabrício Alves Martins de Oliveira, envolvido com a máfia do cigarro no Rio.

Integrante da cúpula do jogo do bicho no Rio de Janeiro, Adilsinho é considerado o maior produtor e distribuidor de cigarros falsificados do estado. Com ele, também foi preso o PM Diego Darribada Rebello de Lima.

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A prisão foi realizada por policiais federais e civis após levantamento de dados e informações de inteligência no âmbito da Ficco/RJ. Ele foi conduzido à Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro e, em seguida, será encaminhado ao sistema prisional do estado.

A Ficco/RJ, Força Integrada de Combate ao Crime Organizado, é uma força-tarefa composta pela Polícia Federal e Polícia Civil (Sepol/PCERJ), que visa a realizar uma atuação conjunta e integrada no enfrentamento às organizações criminosas no estado.

'A cara do crime':

Cassino on-line e venda de cigarros ilegais

Adilsinho é apontado pela polícia como sendo ligado a um grupo que opera um cassino on-line clandestino que movimentou R$ 130 milhões em três anos. O contraventor controla a fabricação e a venda de cigarros ilegais na Região Metropolitana do Rio e, hoje, já expandiu seus negócios ilegais para outros estados.

Guerra do bicho:

Adilsinho nasceu em maio de 1970 em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, numa família de bicheiros que agia naquela região. O pai era sócio da banca Paratodos e logo enriqueceu com a jogatina. Todos se mudaram para o Leblon, bairro nobre na Zona Sul da capital, onde o contraventor passou a infância e a juventude. Na juventude, começou a se envolver nos negócios ilegais que viria a herdar.

Foi na contravenção — baseada no monopólio e na corrupção policial — que Adilsinho buscou inspiração para começar a construir seu império, que conta com pelo menos 34 PMs em sua escolta. A Polícia Federal aponta que, a partir de 2018, ele passou a reinvestir o dinheiro do jogo ilegal na produção e comercialização de cigarros clandestinos, vendidos abaixo do preço mínimo fixado por decreto.

Festa no Copacabana Palace

Em maio de 2021, em plena pandemia de Covid-19, Adilsinho atraiu os holofotes ao fazer uma festa black-tie no hotel Copacabana Palace, um dos mais luxuosos do país. O contraventor recebeu 500 parentes, amigos e artistas para comemorar seu aniversário. Na época, os convites enviados foram em formato de vídeo com a trilha sonora da trilogia “O poderoso chefão”, que narra a saga dos mafiosos da família Corleone.

Pouco mais de dois anos depois, Adilsinho foi procurado em sua cobertura na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste carioca, por policiais civis, que tinham em mãos um mandado de prisão por homicídio. Não havia ninguém em casa.

Além da ligação com o jogo do bicho e a máfia do comércio ilegal de cigarros, o contraventor é apontado como o mandante dos assassinatos do miliciano Marco Antônio Figueiredo Martins, o Marquinho Catiri, e de Alexsandro José da Silva, o Sandrinho, numa investigação da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).