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PSOL pede ao MPRJ revisão de inquéritos arquivados na gestão de Rivaldo Barbosa na Polícia Civil do Rio

Ofício liderado por Tarcísio Motta e Mônica Benício cita condenação do ex-chefe da corporação pelo STF por corrupção e obstrução no caso Marielle e solicita reavaliação de investigações encerradas em 2018

Agência O Globo - 26/02/2026
PSOL pede ao MPRJ revisão de inquéritos arquivados na gestão de Rivaldo Barbosa na Polícia Civil do Rio
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A passagem de Rivaldo Barbosa pelo comando da Polícia Civil do Rio é alvo de um pedido formal de revisão feito pela bancada do PSOL na Câmara dos Deputados ao Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ). Com apoio de parlamentares da Rede, o partido protocolou oficialmente solicitando a reavaliação de inquéritos de homicídio arquivados durante os períodos em que o delegado ocupou cargos de chefia na instituição, em 2018.

Caso Marielle e Anderson:

Análise de Vera Araújo:

O pedido ocorre após decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, que condenou Rivaldo Barbosa a 18 anos de prisão por corrupção passiva e interferência da Justiça no caso de assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Ele foi absolvido da acusação de homicídio.

O ofício é encabeçado pelo deputado federal Tarcísio Motta e conta com a participação da vereadora Mônica Benício e de membros da bancada PSOL-Rede. No documento, os parlamentares argumentam que as denúncias de corrupção e impedem a integridade dos procedimentos investigativos conduzidos sob a gestão do ex-chefe da Polícia Civil.

Segundo o voto do relator no STF, o ministro Alexandre de Moraes, há “farta prova” de que Rivaldo Barbosa recebeu a propina e atuou para direcionar investigações, garantindo impunidade a grupos criminosos, incluindo milícias. Conforme o entendimento apresentado no julgamento, o delegado teria utilizado posições estratégicas — como a titularidade da Delegacia de Homicídios da Capital e da Chefia de Polícia, exercida entre março e dezembro de 2018 — para interferir em apurações criminais e obstruir investigações de assassinatos no estado.

Para os parlamentares, a atuação de uma autoridade policial posteriormente condenada por corrupção pode comprometer a validade dos procedimentos corridos sob sua responsabilidade, podendo inclusive configurar nulidade absoluta de processos. Eles também destacam que eventual interferência indevida pode ter quebrado a cadeia de custódia das provas, afetando a confiabilidade das investigações conduzidas ou arquivadas naquele período.

No ofício, a bancada solicita:

o levantamento e levantamento de todos os inquéritos de homicídio relatados ou arquivados sob gestão ou influência direta de Rivaldo Barbosa;

prioridade na revisão de casos envolvendo milícias, agentes públicos e organizações criminosas;

apuração de eventuais irregularidades e desvios específicos nos arquivos realizados.

Julgamento no STF

Quase oito anos após os assassinatos, a Primeira Turma do STF condenou cinco réus no caso.Foram condenados por organização criminosa e homicídios:

Chiquinho Brazão: 76 anos e 3 meses de prisão, além de 200 dias-multa (com dois intervalos mínimos por dia);

Domingos Brazão: 76 anos e 3 meses de prisão, além de 200 dias-multa (com dois intervalos mínimos por dia).

Robson Calixto da Fonseca, o Peixe: 9 anos de prisão e 200 dias-multa (com um salário mínimo por dia), por organização criminosa armada;

Ronald Paulo Alves Pereira: 56 anos de prisão, pelos homicídios;

Rivaldo Barbosa: 18 anos de prisão, além de 360 ​​dias-multa (com um salário mínimo por dia), por obstrução de Justiça e corrupção passiva.

A decisão que condenou Rivaldo por interferência e corrupção é o fundamento central do pedido apresentado pela bancada do PSOL-Rede para que o Ministério Público reavalie as investigações arquivadas sob sua gestão na Polícia Civil do Rio.