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Consórcio vencedor quer guarda ferroviária em estações do Rio e mais 11 cidades

Nova Via Mobilidade deve iniciar gestão assistida com a SuperVia em março; proposta de reforço na segurança será debatida com governo estadual e prefeituras.

Agência O Globo - 26/02/2026
Consórcio vencedor quer guarda ferroviária em estações do Rio e mais 11 cidades
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Consórcio Nova Via Mobilidade teve a documentação validada nesta quarta-feira em leilão judicial e foi declarado vencedor da licitação que o torna permissionário do sistema de trens que liga o Rio de Janeiro a outros 11 municípios. A decisão foi proferida pelo juiz Victor Agustin Cunha Diz Torres, da 6ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio. Nos próximos dias, a empresa assinará contrato com o estado e, a partir de março, iniciará uma gestão assistida ao lado da SuperVia, atual operadora de transporte ferroviário de passageiros. A SuperVia permanecerá sem serviço durante um período de transição de 90 dias.

Proposta de reforço na segurança

Michel Michalur Filho, vice-presidente de relações institucionais e governo do consórcio, afirmou após audiência na 6ª Vara Empresarial que o objetivo é aprimorar o serviço prestado aos passageiros. Entre as ideias a serem discutidas com o estado está a criação de uma guarda ferroviária municipal, com custos compartilhados entre governos estaduais e prefeituras dos municípios atendidos pelo sistema.

Desafios de segurança

Com mais de 11 estações sob influência do tráfico e uma malha ferroviária que margeia 179 comunidades controladas por grupos criminosos, o sistema conta atualmente apenas com o policiamento do Grupamento de Policiamento Ferroviário da Polícia Militar. A violência nas áreas de passagem dos trens impactou diretamente o serviço: em 2023, só nos dez primeiros meses, problemas como trocas de tiros, roubos, furtos de cabos e vandalismo causaram 682 cancelamentos ou interrupções de viagens, uma média de duas ocorrências por dia, segundo a Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transporte (Agetransp).

— A segurança é realmente uma prioridade. Trabalhar em conjunto com o governo estadual, municipal e retomar a guarda ferroviária, que já existia nos anos 1970, é fundamental para garantir mais proteção ao sistema — destaque Michalur.

Êx internacional

O vice-presidente não detalhou quando o grupo português Barraqueiro, que será subcontratado pela Nova Via Mobilidade, receberá a operação na malha ferroviária do Rio e das demais cidades. O grupo é a maior operadora privada de transportes em Portugal e atua também em Angola e no Brasil, onde opera concessões de ônibus há mais de 15 anos nas regiões Norte e Nordeste.

Expectativas para o novo serviço

Priscila Sakalem, secretária estadual de Transportes, também participou da audiência e ressaltou a expectativa de melhorias no serviço de transporte ferroviário, como a redução dos intervalos e do tempo de viagem.

— Temos um diagnóstico detalhado da ferrovia e sabemos o que precisa ser feito com a entrada do novo operador. A meta é que o usuário perceba a troca por meio da melhoria do serviço: intervalos menores, viagens mais rápidas e ajustes na classe horária, se necessário — afirmou Sakalem.

Cerca de 300 mil pessoas utilizam diariamente os trens, que circulam por cinco ramais e três extensões, totalizando 270 quilômetros de trilhos e 104 estações. Segundo balanço da SuperVia, estima-se que 18 mil pessoas viajem diariamente sem pagar passagem. A estação Padre Miguel, sob forte influência do tráfico, liderou o ranking de evasão de renda.

Atualmente, a frota de transporte é composta por 151 trens e 604 vagões, alguns deles da década de 1960, como as locomotivas a diesel utilizadas nos ramais Vila Inhomirim e Guapimirim.