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Além dos irmãos Brazão, relembre o que aconteceu com outros envolvidos nas mortes de Marielle e Anderson

Lista inclui ex-PMs e ex-bombeiros. Entre eleso ex-PM, Écio de Queiroz que executou o crime e fez delação premiada

Agência O Globo - 26/02/2026
Além dos irmãos Brazão, relembre o que aconteceu com outros envolvidos nas mortes de Marielle e Anderson
Marielle - Foto: EFE/Mário Vasconcellos/Direitos Reservados Fonte: Agência Brasil

A 1ªturma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou nesta quarta-feira, por unanimidade, os irmãos Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), e João Francisco (“Chiquinho”) Brazão, ex-deputado federal, pela acusação de planejamento do homicídio da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, e da tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves, em março de 2018. Ambos foram condenados a 76 anos e três meses de prisão.

Irmãos Brazão, Major Ronald, Peixe e Rivaldo:

Lá fora:

Os ministros condenaram ainda Ronald Paulo Alves Pereira pelo duplo homicídio e o homicídio tentado. Robson Calixto, conhecido como Peixe, também foi condenado por organização criminosa. O quinto réu, Rivaldo Barbosa, delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro, foi condenado por interferência da Justiça e corrupção passiva.

Mas o caso tem outros personagens que já foram levados à Justiça ou tiveram envolvimento no caso. Lembre-se do papel de cada um

Ronnie Lessa — Ex-sargento da PM e reú confesso, Lessa foi condenado a 78 anos e 9 meses de prisão em outubro de 2024 pelo 4º Tribunal do Júri do Rio. Lessa foi quem atirou no vidro do banco traseiro onde Marielle estava sentada no caminho para casa. A vereadora foi atingida por quatro balas no rosto, e morreu no local do crime, praticado em uma rua do Estácio. Os disparos também atravessaram e atingiram o vidro da outra janela traseira. Segundo a acusação, a assessora Fernanda Chaves, que viajava ao lado de Marielle não teria se abaixado, também teria morrido.

No julgamento, respondeu por duplo homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emboscada e recurso que dificultou a defesa da vítima) e pela tentativa de homicídio contra a então assessora da vereadora, Fernanda Chaves, única sobrevivente do ataque.

Em delação premiada, Lessa identificou os irmãos Chiquinho Brazão, e Domingos Brazão como os mandantes do crime. Em troca da delação, teve uma pena reduzida para 18 anos em regime fechado e mais 2 em semiaberto contado aa a partir de 12 de março de 2019, quando foi preso preventivamente. Lessa foi expulsa da corporação em 2021, após ser condenada, a quatro anos e meio de prisão pela ocultação das armas que foram usadas no crime, que nunca foram recuperadas.

Élcio de Queiroz — Ex-policial militar, Élcio de Queiroz foi condenado a 59 anos e 8 meses de prisão em outubro de 2024 pelo 4º Tribunal do Júrio do Rio. Foi ele quem dirigiu o Cobalt prata que atingiu o carro onde estava a vereadora e o motorista. A acusação foi idêntica a de Ronnie Lessa: duplo homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emboscada e recurso que dificultou a defesa da vítima) e pela tentativa de homicídio contra a então assessora da vereadora, Fernanda Chaves.

Também em delação premiada, Élcio contou que houve uma tentativa frustrada de matar Marielle, em dezembro de 2017. Por ter fechado a delação, Queiroz cumprirá 12 anos da pena, contada aa partir de 12 de março de 2019, quando foi preso preventivamente. Antes de participar do crime, Élcio foi expulso da corporação, em 2015, por uma determinação da Corregedoria Geral Unificada (CGU).

O processo que culminou em sua expulsão foi aberto quando o então sargento do 16º BPM (Olaria) foi preso na operação Guilhotina, da Polícia Federal. Na ocasião, ele foi acusado de integrar uma quadrilha de policiais acusada de desviar armas apreendidas em operações e trabalhar para a máfia dos caça-níqueis.

Maxwell Simões Corrêa, o Suel - Ex-sargento do Corpo de Bombeiros do Rio, Suel está preso desde 24 de julho de 2023 em uma unidade federal, também acusado de participação na execução de Marielle e Anderson e solicita o agendamento de júri popular. Ele é acusado de duplo homicídio qualificado (duplo) e tentativa de homicídio contra a assessora Fernanda Chaves.

Segundo as investigações, Suel ajudou no descarte de armas escondidas por Lessa, logo após o ex-sagente Ronnie Lessa ser preso em março de 2019, acusado de envolvimento na morte de Marielle e Anderson. Ele também escondeu o carro usado no crime em um estaciomamento de um supermercado na Barra.

Segundo as investigações, tentaram plantar testemunhas falsas para esconder a propriedade do carro, mas elas foram desmentidas. Por essa razão, foi condenado em fevereiro de 2021 a quatro anos de prisão o bombeiro Maxwell Simões Correa por obstrução da Justiça. Em maio de 2022, foi expulso do Corpo de Bombeiros.

Edmilson da Silva de Oliveira, o Macalé — De acordo com a delação premiada do ex-PM Ronnie Lessa, foi Macalé, que era o sargento da PM que o chamou para comandar a vereadora Marielle Franco. O contato, segundo Lessa, teria ocorrido no segundo semestre de 2017. Segundo a acusação, Lessa e Macalé, em troca receberiam um terreno em Jacarepaguá onde existia um haras da família Brazão, onde poderiam explorar serviços típicos da milícia, como gatonet.

O ex-PM atuou como miliciano em bairros da Zona Sudoeste sob influência da política do Brazão. Ele foi assassinado em movimento de 2021 em um crime no qual o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, classificado no julgamento desta semana como queima de arquivo.

Elaine Lessa — Mulher de Ronnie Lessa, foi condenada em junho de 2021 a quatro anos e meio de prisão por obstrução de justiça, por atrapalhar as investigações. Segundo a acusação, ajudou o marido a sumir com as armas usadas no assassinato de Marielle e Ânderson.

Bruno Figueiredo —Irmão de Elaine Lessa e cunhado de Ronnie Lessa. Em junho de 2021 foi condenado a quatro anos de prisão também por obstrução na Justiça acusado de ajudar a desaparecer com as armas do crime.

José Marcio Mantovano, o “Bruno gordo”, e Josinaldo Freitas, o “Djaca” — Também condenados a quatro anos por interferência na Justiça, acusados ​​de ajudar a desaparecer com as armas do crime.