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Após aumento da tarifa do metrô, governador anuncia que valor não terá reajuste e será mantido em R$ 7,90

Para cobrir o valor que deixará de entrar no caixa da concessionária com a suspensão do aumento, a Secretaria de Transportes destinará R$ 37 milhões em subsídios à empresa

Agência O Globo - 26/02/2026
Após aumento da tarifa do metrô, governador anuncia que valor não terá reajuste e será mantido em R$ 7,90
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Horas após o MetrôRio informar que a tarifa do modal aumentaria de R$ 7,90 para R$ 8,20 a partir de abril e a notícia repercutir negativamente entre passageiros, o governador do Rio, Cláudio Castro, anunciou, em vídeo publicado nas redes sociais na noite desta quarta-feira, que a passagem será mantida no valor atual. Para cobrir o valor que deixará de entrar no caixa da concessionária com a suspensão do aumento, a Secretaria de Transportes destinará R$ 37 milhões em subsídios à empresa. Os usuários que estão cadastrados no programa do Bilhete Único Intermunicipal (BUI) e têm direito à Tarifa Social vão continuar pagando R$ 5, já que o desconto, que vence em 11 de abril, será renovado.

"A gente sabe que, todo ano, infelizmente, tem o reajuste do valor das passagens. Mas também a gente sabe que é dever do Governo do Estado entender quando essa passagem já passou do limite. E nós sabemos que no Metrô do Rio, graças a contratos passados que não fomos nós que fizemos, a passagem ficou muito alta. E a Agência (Agetransp) autorizou um aumento de R$ 0,30, como seria contratual. Mas, a gente vai conseguir este ano inteiro que não haja esse aumento de passagem. Então, a passagem continua R$ 7,90. Vai ser um investimento de R$ 37 milhões do Governo do Estado", afirmou Castro.

O reajuste

A tarifa do metrô carioca é considerada a mais cara do país. A diferença de 30 centavos representaria um reajuste de 3,8%. Se, de um lado, era anunciado o aumento, de outro, usuários do serviço se queixam de superlotação, principalmente nos horários de pico e problemas como a climatização dos vagões, sobretudo, nos dias mais quentes.

Segundo a concessionária MetroRio, o reajuste foi homologado pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários, Metroviários e Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Agetransp). A concessionária explicou ainda que tarifa metroviária é reajustada anualmente com base na variação de 12 meses do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), como previsto no contrato de concessão.

O Conselho Diretor da Agetransp recomendou à Secretaria de Estado de Transportes e Mobilidade Urbana (Setram) a adoção de medidas para viabilizar a prorrogação da tarifa social do sistema metroviário, no valor de R$ 5, vigente até 11 de abril, além de solicitar a extensão do benefício para toda a população. A Setram também foi orientada a realizar estudos técnicos que possam encontrar alternativas para viabilizar uma tarifa mais módica e acessível a toda a população, preservando o equilíbrio econômico-financeiro do contrato e a adequada prestação do serviço.

O último aumento do metrô ocorreu em abril de 2025, quando a tarifa passou dos R$ 7,50 para R$ 7,90. Na época, o valor já era o mais alto do país. O novo reajuste deixa o valor cobrado pelo metrô do Rio ainda mais distante do que é praticado nas outras capitais brasileiras. O passageiro de Belo Horizonte, por exemplo, paga R$ 5,80, o de Brasília, R$ 5,50; o de São Paulo, R$ 5,40; o de Porto Alegre R$ 5; o de Recife, R$ 4,25; o de Salvador, R$ 4,10 e o de Fortaleza, R$ 3,60 (Linha Sul).

Para engenheiro Marcus Quintella, coordenador da FGV Transportes o que faz as passagens do metrô do Rio serem mais altas do que as de outras capitais é o modelo de concessão. Isso acontece, segundo o especialista, porque no Rio a tarifa do serviço metroviário não é subsidiada pelo poder concedente, como acontece em outras cidades, como São Paulo.

—É uma questão do modelo de concessão. As pessoas fazem esse alerde de que as tarifas do metrô e da SuperVia são as mais caras do Brasil. Sim e isso acontece porque elas não são subsidiadas pelo poder concedente. Agora que a SuperVia, com esse novo modelo (de concessão) vai remunerar o concessionário por quilômetro rodado e vai instituir a tarifa pública. Os outros metrôs todos são subsidiados — disse o especialista apontando os exemplos de Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre e São Paulo — No metrô do Rio o que sustenta o serviço é a tarifa pública de remuneração, que é a mesma cobrada do usuário.

Quintella diz ainda que o reajuste pelo IPCA, embora contratual, acaba pressionando o orçamento dos usuários. Para mudar isso, na sua avaliação, seria necessária uma alteração no modelo de concessão.

—O reajuste pelo IPCA, nem sempre reflete os custos da operação, porque é o índice geral da economia como um todo. Não pega especificamente só os custos do metrô, que está sendo reajustado pela média da economia. Não está efetivamente vendo como custa a energia elétrica, as peças de manutenção e custo com pessoal. Reajustar um setor econômico por um índice geral pode dar distorção para mais ou para menos — avalia.