RJ em Foco
'Favela tour': imprensa argentina destaca laje da Rocinha que viralizou com vídeos de drone
Turistas pagam cerca de R$ 200 para registrar experiência que se tornou tendência nas redes sociais
Nem Cristo Redentor, nem Pão de Açúcar, nem Maracanã. O novo boom turístico do Rio de Janeiro é uma laje localizada na Rocinha, uma das favelas mais emblemáticas da cidade. Milhares de visitantes de diferentes países têm buscado o local para recriar, com drones, cenas inspiradas em filmes famosos. O fenômeno, que ganhou destaque no jornal argentino La Nacion, foi apresentado como uma tendência viral que se espalhou pelas redes sociais.
A proposta, popular em plataformas como Instagram e TikTok, oferece uma experiência coreografada na qual turistas pagam por um vídeo de alta qualidade captado por drones, tendo como pano de fundo a paisagem das moradias e o mar.
A logística da atração une organização e retorno financeiro. Segundo reportagem do La Nacion, os visitantes desembolsam cerca de R$ 200 pela experiência.
O valor inclui não apenas a produção audiovisual, mas também o acesso seguro ao local. “Você tem que entrar com gente do bairro”, informam previamente aos visitantes, indicando que a atividade é organizada e conduzida por moradores da própria comunidade.
Como é a filmagem?
O vídeo típico começa com o turista saindo de uma moradia simples em direção a uma laje aberta. É comum ver jovens com camisetas de futebol, como as do Boca Juniors ou da Seleção Argentina, caminhando até a borda da construção com os braços abertos.
Nesse momento, um drone realiza um movimento rápido de afastamento — o chamado zoom out — revelando a extensão da Rocinha, o contraste com prédios de alto padrão da orla e marcos do Rio, como o Pão de Açúcar.
Um dos elementos centrais da cena é uma cadeira de madeira estrategicamente posicionada no terraço, referência direta ao filme “Cidade de Deus”, ícone do cinema brasileiro.
Embora o longa não tenha sido filmado originalmente na Rocinha, a estética do local contribui para que os turistas se sintam dentro dessa narrativa visual.
A produção do vídeo tem um caráter quase teatral. Durante as gravações, os organizadores abrem a porta para o visitante, que caminha até a cadeira enquanto o drone decola.
Apesar do sucesso nas redes sociais, a experiência também gerou debates sobre a romantização da pobreza, discussão que contrapõe a identidade das comunidades à percepção pública da desigualdade social.
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