RJ em Foco
Por que a praia do Arpoador está imprópria para banho, mesmo com águas cristalinas
Transparência do mar não indica ausência de contaminação por esgoto, alerta professor da Uerj
O Centro de Inteligência em Saúde do Estado do Rio de Janeiro emitiu alerta para o excesso de calor a partir deste domingo. Em busca de alívio, muitos recorrem às praias, mas é fundamental verificar a balneabilidade — ou seja, as condições sanitárias da água — antes de entrar no mar.
De acordo com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), neste domingo estão liberadas para banho as praias de Grumari, Prainha, Pontal de Sernambetiba, Recreio, Reserva, Barra da Tijuca (exceto no Quebra-mar, em frente à Rua Sargento João de Faria), Joatinga, Pepino, Vidigal, São Conrado, Leblon, Ipanema (exceto em frente à Rua Joana Angélica), Diabo, Copacabana, Leme, Vermelha, Urca e Flamengo (exceto na Foz do Rio Carioca). Permanecem impróprias: Barra de Guaratiba, Botafogo, Glória e também o Arpoador — mesmo com aparência caribenha.
Por que o Arpoador está impróprio?
O engenheiro e professor de oceanografia da Uerj, David Zee, explica que a condição imprópria do Arpoador é resultado de fatores recentes, conforme apontam análises laboratoriais do Inea:
— As chuvas ocorridas há uma semana, somadas à maré de quadratura (quando as marés são mais fracas) e ao bloqueio das entradas de frentes frias, reduziram a capacidade de mistura e diluição das águas contaminadas que saem da Baía de Guanabara. A transparência da água, portanto, não garante ausência de esgoto, pois a contaminação só é detectada em exames laboratoriais mais precisos — esclarece Zee.
Além disso, a presença de detritos plásticos, resíduos urbanos e folhas na linha d'água são indícios de contaminação por organismos patogênicos, como vírus, bactérias, fungos, protozoários e parasitas, que podem causar doenças de pele, gastroenterite e até hepatite em seres humanos.
Desafio antigo e soluções necessárias
A contaminação por coliformes fecais em praias da Baía de Guanabara e em diversas praias oceânicas do Rio de Janeiro é um problema histórico. Para superá-lo, David Zee ressalta a necessidade de investimentos de longo prazo em saneamento, especialmente em áreas favelizadas, onde rios se transformaram em canais de esgoto sem tratamento e há ausência de coleta adequada de lixo.
Cuidados com o calor intenso
Desde sábado, o Centro de Operações do Rio (COR) ativou o terceiro nível do Protocolo de Calor. Segundo o Alerta Rio, a temperatura máxima pode chegar a 40°C neste domingo e não deve baixar dos 21°C, sem previsão de chuva.
Confira recomendações para enfrentar o calor, seja na praia ou fora dela:
- Aumente a ingestão de água ou sucos naturais, mesmo sem sentir sede;
- Prefira alimentos leves, como frutas e saladas;
- Use roupas leves e frescas;
- Evite bebidas alcoólicas e com alto teor de açúcar;
- Evite exposição direta ao sol entre 10h e 16h;
- Utilize protetor solar para evitar queimaduras;
- Proteja crianças com chapéu de abas largas;
- Em caso de mal-estar, tontura ou outros sintomas relacionados ao calor, procure uma unidade de saúde municipal.
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