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Carros elétricos entram na mira do tráfico no Rio; pontos de recarga clandestina já aparecem em comunidades

Relatório aponta que, só em 2023, foram registradas 54 ocorrências envolvendo uma marca de carro elétrico na Baixada Fluminense; Duque de Caxias lidera os casos.

Agência O Globo - 11/01/2026
Carros elétricos entram na mira do tráfico no Rio; pontos de recarga clandestina já aparecem em comunidades
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Durante uma operação conjunta das polícias Civil e Militar na Vila Aliança, Zona Oeste do Rio, realizada na última quinta-feira, agentes localizaram um ponto clandestino de recarga para carros elétricos. De acordo com as autoridades, o espaço é utilizado por traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP) para abastecer veículos roubados ou furtados na cidade. O uso desses automóveis pelo crime tem se tornado frequente, principalmente devido à facilidade de recarga por meio de ligações irregulares de energia e à lucratividade na revenda de peças.

Outras comunidades sob domínio do tráfico também apresentam pontos semelhantes. Segundo a Polícia Civil, favelas do Complexo da Maré, controladas tanto pelo TCP quanto pelo Comando Vermelho (CV), já contam com estruturas para recarga de carros elétricos. Facções também instalaram pontos nos complexos da Penha, Alemão e Chapadão. O abastecimento é feito conectando os veículos diretamente a postes de energia, sem custo para os criminosos e evitando a exposição em postos de combustível.

O secretário de Polícia Civil do Rio, delegado Felipe Curi, confirmou o aumento dos roubos de carros elétricos e a descoberta de pontos de recarga em favelas. Em 2023, agentes encontraram um wallbox — carregador fixo residencial — instalado por traficantes na Penha, utilizado para abastecer veículos avaliados em mais de R$ 200 mil.

— A principal vantagem do carro elétrico para o crime é a possibilidade de recarga dentro da própria comunidade, evitando deslocamentos e a compra de combustível — explica Curi.

Roubos em crescimento

O aumento dos roubos desses veículos pode estar relacionado à expansão das vendas no estado. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico, em 2024 foram vendidos 12.754 carros elétricos no Rio; no ano seguinte, o número saltou quase 60%, chegando a 20.262 unidades.

Outra possível explicação, segundo policiais, seria uma retaliação dos criminosos após operações recentes, como a da Penha em outubro do ano passado, que resultou em 117 mortes, e a Barricada Zero, em novembro. Após essas ações, traficantes teriam sido orientados a intensificar os roubos de veículos, incluindo elétricos.

Como parte do combate ao crime, a Operação Torniquete segue em andamento diariamente no estado. O secretário Felipe Curi destaca que a atenção agora se volta para cidades da Baixada Fluminense, especialmente Duque de Caxias, que lidera o ranking estadual de roubos de veículos. Entre janeiro e novembro de 2023, a 59ª DP (Duque de Caxias) registrou 1.232 ocorrências desse tipo.

Foco na Baixada

Relatório interno da Polícia Civil, baseado em apenas uma marca de carro elétrico, aponta 54 ocorrências na Baixada Fluminense em 2023, sendo 13 delas em Duque de Caxias.

Em nota, a Light informou que “em parceria com as forças de segurança, combate diariamente fraudes e irregularidades em sua rede elétrica”. A empresa afirmou ainda estar atenta a novos métodos de uso indevido da rede para recarga de veículos elétricos e que avalia estratégias técnicas e operacionais para enfrentar esse tipo de ocorrência.