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PL se articula para manter Delaroli na presidência da Alerj após exonerações em massa; entenda

Reunião com os 18 deputados do PL antecedeu publicação de DO extra com 206 demissões; bastidores apontam estratégia para eventual eleição interna e sucessão estadual

Agência O Globo - 07/01/2026
PL se articula para manter Delaroli na presidência da Alerj após exonerações em massa; entenda
Guilherme Delaroli (PL) - Foto: Reprodução / Instagram

A ofensiva que resultou na exoneração de 206 servidores da Assembleia Legislativa do Rio foi precedida de um movimento político calculado. Na manhã de ontem, antes da publicação do Diário Oficial extra que formalizou as demissões, o presidente estadual do PL, Altineu Côrtes, reuniu-se com os 18 deputados da legenda. O encontro, segundo relatos feitos sob reserva, teve como objetivo alinhar o partido em torno da manutenção de Guilherme Delaroli na presidência da Casa e preparar o terreno para um eventual cenário de eleição interna. Entre os demitidos estão comissionados indicados por políticos influentes do estado, como Sérgio Cabral e Paulo Melo, ex-presidentes da Casa, foram demitidos. Entre eles, Marco Antônio Neves Cabral e Suzana Neves Cabral, filho e ex-esposa de Sérgio Cabral. A presidência da Casa suspeita que haja funcionários fantasmas entre os nomeados.

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Copacabana e Leme:

Interlocutores afirmam que o pano de fundo das exonerações é justamente a construção de respaldo político para uma possível renúncia do atual presidente afastado, Rodrigo Bacellar (União). A saída voluntária de Bacellar é o único caminho formal para abrir a disputa pelo cargo. Nesse caso, pelas regras internas, qualquer vaga na Mesa Diretora precisa ser preenchida em até cinco sessões, por meio de votação entre os deputados. Podem concorrer parlamentares com mais de 30 anos — exigência que se impõe porque o eleito passa a integrar a linha sucessória ao governo do estado.

Nesse contexto, aliados avaliam que Guilherme Delaroli, atual vice-presidente e no comando interino da Casa desde o afastamento de Bacellar por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), ganha margem para articular apoio político caso a eleição seja deflagrada.

A solução inicial, após o afastamento de Bacellar, foi protocolar. Mas, nos bastidores, o partido “tomou gosto” pelo arranjo e passou a defender que o deputado de Itaboraí não apenas permaneça no cargo agora, como também seja o nome do PL para comandar a Assembleia na próxima legislatura, a partir de 2027.

Embora o PL seja a maior bancada da Alerj, com 18 deputados, o número está longe do necessário para garantir sozinho a recondução de Delaroli. Para vencer, serão exigidos 36 votos — maioria absoluta dos 70 parlamentares. A avaliação interna, porém, é que a manutenção de cargos estratégicos amplia o poder de negociação do interino, inclusive junto a aliados de Bacellar que, em uma disputa aberta, poderiam se afastar da orientação formal da legenda.

Segundo fontes do partido, a permanência de Delaroli no comando interino é vista “sem sobressaltos” e como a alternativa mais estável em meio à crise institucional enfrentada pela Assembleia. A leitura é que qualquer solução fora desse arranjo ampliaria o grau de imprevisibilidade política às vésperas de um ciclo decisivo para o estado.

No entanto, o clima subiu entre os deputados com as exonerações e mobilizou aliados de Bacellar a convencê-lo de que a renúncia, neste momento, seria o melhor caminho. Por outro lado, Delaroli não tem medido esforços para demonstrar quem é que está no comando.

Muitos deputados afirmam que a postura da presidência nas exonerações, embora enfrente resistências, promove a Delalori uma ideia estratégica e mais moralista de expurgar a prática de funcionários fantasmas, pauta que acena positivamente ao seu eleitorado.

Mudança de rota

O desenho atual também revela uma mudança de rota. Num primeiro momento, o partido trabalhava com o nome do deputado licenciado e secretário estadual das Cidades, Douglas Ruas — filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nélson — para a presidência da Alerj. O plano, no entanto, foi revisto quando Douglas passou a ser tratado como principal aposta de Flávio Bolsonaro para a disputa pelo governo do estado.

A estratégia ainda depende de um alinhamento no topo da sigla. A cúpula do PL aguarda uma conversa definitiva entre o presidente estadual do partido, Altineu Côrtes, o governador Cláudio Castro e o senador Flávio Bolsonaro. O encontro, previsto para ocorrer até o fim do mês, deve selar decisões estratégicas mirando as eleições, quando Castro tende a renunciar ao governo para disputar uma vaga no Senado. Nesse cenário, a Alerj terá papel central na eleição indireta para o Palácio Guanabara.