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Copacabana e Leme: energia volta, mas com geradores; imóveis com fornecimento irregular devem procurar a Light

Segundo a Polícia Civil, perícia identificou dois pontos de furto em cabines da rede subterrânea; concessionária mobilizou 100 profissionais e instalou 62 geradores para evitar novos apagões

Agência O Globo - 06/01/2026
Copacabana e Leme: energia volta, mas com geradores; imóveis com fornecimento irregular devem procurar a Light
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A energia elétrica foi restabelecida em praticamente toda a área do e de afetada pelo apagão que deixou ruas inteiras às escuras desde o último sábado. A Light diz que enquanto são feitos reparos na rede — alvo de furtos de cabos, segundo a concessionária — ao menos 62 geradores foram instalados em pontos estratégicos para garantir o abastecimento. Não há previsão, no entanto, até quando serão necessários esses equipamentos. De acordo com a empresa, se em algum imóvel ainda faltar luz, os responsáveis devem entrar em contato para pedir o restabelecimento. Na noite desta segunda-feira moradores de alguns prédios ainda relavam fornecimento irregular, em apenas uma fase.

Tragédia:

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Superintendente da Light, Bruno Rodrigues, que está na região, explicou que o uso dos geradores é uma forma emergencial de garantir a energia para as pessoas sem muitos impactos. Isso pode levar, no entanto, mais alguns dias.

— Os geradores dão suporte para que possamos trabalhar com segurança sem desligar os circuitos por longos períodos. Sem eles, o impacto para os clientes teria sido muito maior — explicou o superintendente.

Furto de cabos

Sobre a denúncia do furto de cabos, a Light afirma que há fortes indícios de que os crimes tenham sido cometidos por uma quadrilha especializada, com conhecimento técnico sobre o funcionamento da rede subterrânea. A avaliação, segundo o superintendente da Concessionária, é de que os furtos não ocorreram de forma isolada, mas de maneira planejada e progressiva, até que o sistema não suportasse mais a carga elétrica.

— O sistema foi construído com múltiplos caminhos para o transporte de energia. Quando se retira um cabo, ele continua funcionando. Isso vai acontecendo sucessivamente até que os cabos restantes não suportam mais a carga, provocando o colapso — explicou o superintendente da Light, Bruno Rodrigues.

Segundo a concessionária, mesmo com inspeções preventivas, o volume de furtos foi tão elevado que, somado ao aumento da demanda, levou à falha total da rede. O reparo, segundo a empresa, é complexo, técnico e realizado em ambiente de acesso restrito, o que exige procedimentos rigorosos de segurança e ventilação forçada.

De acordo com a Polícia Civil, a perícia já identificou dois pontos distintos de furto de cabos na rede subterrânea. Um deles fica no cruzamento da Rua Antônio Vieira com a Avenida Nossa Senhora de Copacabana, e o outro na Rua Aurelino Leal com a Rua Gustavo Sampaio, ambos no Leme.

A Light informou ainda que os furtos ocorreram em câmaras de transformação subterrâneas — acessadas por bueiros — e que há indícios de violação planejada desses equipamentos. Segundo a concessionária, quem pratica esse tipo de crime conhece o sistema e sabe quais cabos podem ser retirados sem provocar impacto imediato, o que dificulta a identificação em flagrante.

— Não é um furto comum, como o de cabos aéreos. São pessoas que sabem exatamente o que estão fazendo — afirmou Bruno Rodrigues.

Moradores relatam instabilidade e prejuízos

Morador do Leme, o estudante Felipe Esteves de Oliveira, de 31 anos, relatou que a comunicação sobre o restabelecimento da energia gerou confusão entre os moradores. Ele vive em um prédio de 12 andares, com 41 apartamentos, na Rua Anchieta, onde mora com a mãe, Fátima Esteves, de 65 anos, e a avó, Rosa Esteves, de 87.

— Diziam que a luz já tinha voltado, mas em muitos pontos ainda não tinha. Na Rua Roberta Dias Lopes, por exemplo, ainda estava tudo sem energia, e no domingo ainda chegavam geradores — contou.

Segundo ele, houve nova oscilação na noite de segunda-feira.

— Por volta das 21h30, quando ligaram a segunda fase, a luz voltou inteira, mas caiu de novo por cerca de cinco minutos. Só hoje de manhã parece que normalizou de vez — disse.

Na casa da família, houve prejuízo material.

— Queimou o ventilador e o ar-condicionado do quarto da minha mãe, além de comida estragada porque a geladeira ficou desligada por muito tempo. Em outros lugares foi pior. Um mercado aqui do Leme perdeu muita coisa — afirmou.

Ressarcimento aos consumidores

Felipe procurou a agência móvel da Light no Leme, na Praça Almirante Júlio de Noronha, para obter informações sobre ressarcimento.

— Orientaram a registrar o pedido pela agência virtual, pela agência física ou aqui. Pediram o modelo dos equipamentos e, se possível, nota fiscal. Disseram que é muito provável que o ressarcimento seja aceito — contou.

A Light informou que os pedidos podem ser feitos pelo portal de serviços (agenciavirtual.light.com.br), pelo call center 0800 021 0196, pela agência móvel no Leme, com atendimento das 9h30 às 17h, ou pela agência comercial de Copacabana, na Rua Barata Ribeiro, 96, loja A. O prazo informado para análise é de até 20 dias, podendo chegar a 90 dias caso seja necessária documentação complementar.