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Sobrevivente de incêndio no Shopping Tijuca relata momentos de desespero: 'Cena de terror. Pensei que fosse morrer'
Antes de conseguir sair do local, a vendedora Kemilly Soares da Silva inalou fumaça tóxica, teve dificuldade para respirar e crise de pânico
Uma das vítimas sobreviventes do incêndio que atingiu o subsolo do Shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio, no início da noite de sexta-feira, foi uma jovem de 23 anos. Após inalar muita fumaça tóxica, Kemilly Soares da Silva foi levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro, recebeu oxigênio, soro na veia e foi liberada horas depois, por das 22h30. A crença nesse desfecho positivo, porém, não era o que guiava seus pensamentos enquanto testemunhava a correria para a evacuação às pressas do centro comercial. Nas redes sociais e ao GLOBO, ela relatou momentos de desespero.
Incêndio no Shopping Tijuca:
'Era um irmão para mim. Muito triste':
— Eu trabalho num quiosque no 2º piso do shopping. Comecei a perceber uma movimentação estranha, mas não recebemos nenhuma orientação para deixar o local. Continuamos trabalhando normalmente. O shopping estava cheio, inclusive com muitas crianças de colo, e as pessoas começaram a ficar muito nervosas, e só então os seguranças mandaram sair, porque estava pegando fogo. O pedir para evacuar demorou muito. De repente, começou uma correria de pessoas desesperadas, porque o shopping foi tomado por uma neblina cinza e as pessoas não sabiam por onde sair. A escada de incêndio ficou congestionada. O segurança teve que parar a escada rolante que estava subindo, para o pessoal conseguir descer. Enquanto isso, a fumaça se espalhava e o cheiro ficava cada vez mais forte. Eu acabei inalando muita fumaça — descreve.
Kemilly conta que só conseguiu deixar o shopping cerca de 20 minutos após a ordem de evacuação. Na calçada do centro comercial, ela recebeu os primeiros socorros de uma médica que passava pelo local.. Em seguida, foi atendida pelo Corpo de Bombeiros e levada para a UPA.
— Eu tenho bronquite asmática, que é muito forte. E minha alergia começou a atacar, por conta da fumaça e porque eu tive uma crise de pânico ao ver o desespero das outras pessoas. Vi muita gente passando mal, inclusive em estado grave. Comecei a tossir e a ter dificuldade para respirar. Por alguns momentos, pensei que fosse morrer. O cheiro era insuportável. Foi uma cena de verdadeiro terror — lembra.
Vendedora da loja de chocolates Kopenhagen, Kemilly começou a trabalhar no dia 8 de dezembro, num contrato temporário para o período natalino. Seu último dia de trabalho seria no próximo dia 6, quando esperava ser efetivada, destino que ainda é incerto. Alguns dos seus pertences, como mochila com dinheiro, roupas e cartão de passagem, ficaram para trás, no local de trabalho.
Prestes a completar 24 anos, no dia 10 de janeiro, ela, porém, celebra a nova chance de viver.
— Com certeza, nasci de novo. Agora, estou bem. Eu agradeço a Deus por ter conseguido sair de lá viva e bem. É realmente um grande alívio — define a jovem, que também é maquiadora.
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