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'Era um irmão para mim. Muito triste', lamenta amigo de brigadista morto em incêndio no Shopping Tijuca
Henrique Alves aguarda a liberação de Anderson Aguiar do Prado do Instituto Médico Legal
Sentado na entrada do Instituto Médico Legal (IML), no Centro do Rio, Henrique Alves aguarda, de olhos marejados, a liberação do corpo do amigo Anderson Aguiar do Prado. O socorrista, de 43 anos, foi uma das vítimas do incêndio que atingiu o Shopping Tijuca, na noite da última sexta-feira. Bombeiros de 15 quartéis diferentes atuam, até o momento, no combate às chamas e à fumaça no edifício.
'Está muito difícil ficar aqui':
Investigação:
Anderson era bombeiro civil, mas recentemente havia passado a exercer o cargo de supervisor de mall no Shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio.
Segundo Henrique, amigo e colega de profissão, o “Neguin”, como era carinhosamente chamado por amigos e familiares, era considerado um profissional fora de série, admirado pelo profissionalismo e pela personalidade fácil.
— O Anderson era muito alegre, de sorriso fácil. Engraçado, porque adorava ajudar as pessoas e era bombeiro. Talvez por isso tenha escolhido a profissão. Era muito experiente e fazia um trabalho excepcional. É muito triste receber uma notícia dessas — disse Henrique Alves.
Henrique atua na FTR Brigada de Incêndio, empresa que presta serviços ao Shopping Tijuca e na qual Anderson também trabalhou. Os dois se conheceram no ambiente profissional, em 2018, e desde então mantinham uma amizade próxima.
— Era um irmão, sabe? A gente se falava todos os dias. Inclusive, antes da fatalidade de ontem, tínhamos marcado de almoçar hoje. É o risco da profissão, né? Tenho certeza de que ele está com Deus — completou.
Incêndio em área de difícil acesso
Os bombeiros informaram que as chamas no Shopping Tijuca, na Zona Norte, tiveram início em uma área de difícil acesso, no subsolo do estabelecimento, provocando intensa concentração de fumaça. O trabalho de combate ao fogo, segundo a corporação, exigiu atuação técnica especializada, incluindo o emprego de equipamentos de proteção respiratória autônoma e de ventilação mecânica para dispersão dos gases e garantia da segurança das equipes. O incidente resultou em duas mortes e três feridos. A Polícia Civil identificou o supervisor de brigadistas Anderson Aguiar do Prado e a brigadista Emellyn Silva Aguiar Menezes como os dois mortos no incêndio.
A Fundação Saúde informou que o SAMU da capital fluminense atendeu três pessoas no incêndio que atingiu o shopping Tijuca, na noite desta sexta-feira. Uma mulher de 23 anos foi levada para a UPA da Tijuca, onde foi atendida e liberada às 22h30. Os demais feridos são dois homens, que foram levados para o Hospital Municipal Souza Aguiar, cujos estados de saúde não foram informados.
Mais cedo, por meio de nota, o estabelecimento confirmou que o incêndio começou na loja Bellart, de materiais de decoração. O shopping disse ainda que equipe atuou prontamente para conter a situação e cumpriu o protocolo de emergência com a devida evacuação de visitantes e lojistas em segurança. Já alguns frequentadores relataram não ter ouvido alarme e também reclamaram da demora em receber orientações para que deixassem o local.
Uma frequentadora contou ter sido informada de que havia um princípio de incêndio na loja, localizada no subsolo, às 18h, mas só foi orientada a sair do shopping por volta das 19h. Enquanto isso, o Corpo de Bombeiros informou que o quartel da Tijuca foi acionado às 18h28 para a ocorrência.
Nesta manhã, a corporação mobiliza cerca de 65 militares de 15 unidades operacionais, com o apoio de 22 viaturas. Os bombeiros informaram ainda que a ocorrência permanece em andamento e que, no momento, o incêndio encontra-se controlado, sem possibilidade de propagação. As equipes seguem fazendo o resfriamento do local.
As vítimas
No início da madrugada foi confirmada a informação de que duas pessoas morreram. Uma das vítimas fatais, o brigadista Anderson Aguiar do Prado foi levado para o Hospital Municipal Souza Aguiar, onde chegou sem vida.
A outra, a brigadista Emellyn Silva Aguiar Menezes, foi retirada de dentro do shopping sem vida por volta de 1h45 deste sábado. Ela não apresentava sinais de queimaduras e a primeira hipótese é de que a morte tenha acontecido por inalação de fumaça.
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