RJ em Foco
Cariocas e turistas se recusam a deixar Copacabana e prolongam comemoração da chegada de 2026 na capital
Estadias no Rio esticam até domingo, com reflexos ainda do sucesso da virada do ano na cidade
Eram 3h30 da madrugada de ontem quando passistas e ritmistas da Beija-Flor de Nilópolis, campeã do carnaval carioca, abriram os trabalhos no último show do réveillon de Copacabana. Poucas horas depois, perto dali, já com o sol do primeiro dia de 2026 brilhando, a orla tomada e a longa fila do banheiro no Posto 2 deixaram evidente: para muita gente, a festa ainda não acabou. A impressão de que o show no Rio continua começou a se desenhar logo após a queima dos fogos, auge da celebração.
Perigo no mar:
Banheiros lotados no Posto 2:
Terminados os 12 minutos de foguetório, quem entrou em cena foi o pernambucano João Gomes, atual sensação da música brasileira. Mais tarde, perto das 2h, quando um bocado de gente já cogitava bater em retirada, o DJ Alok entregou espetáculo antológico, que fundiu seu repertório a desenhos luminosos feitos por 1.250 drones — além de mais efeitos pirotécnicos, em uma espécie de “segunda queima de fogos”. Perto do fim de quase uma hora de show, o público ainda entoava em coro: “eu não vou embora”. E não foi mesmo.
Praia cheia no dia 1º
Ao amanhecer do dia 1º, o trabalho de desmontagem da estrutura do evento e das equipes de limpeza se misturou a turistas e locais, como Jéssica Trezza e Lucas Cunha, casal que comemorou a quarta virada de Copacabana consecutiva.
— Tivemos boas recordações de nosso primeiro réveillon em Copa e voltamos outras duas vezes. Esse não poderia ser diferente — contou Lucas, que mora com Jéssica na Tijuca, Zona Norte da cidade. Os dois foram para a festa de metrô e disseram que não enfrentaram problemas.
— A energia deste ano foi tão boa que ainda não deu vontade de ir embora. Demos um meio mergulho agora, e, antes de passar o dia aqui, ainda vamos passar em casa — completou Jéssica.
A primeira edição do réveillon de Copa na condição de “maior do mundo”, certificado pelo Guinness World Records, repetiu o esquema de segurança com barreiras de vistoria no acesso à orla e alta tecnologia que vem sendo aprimorado desde a chegada de 2023.
Delegado da 12ª DP (Copacabana), Angelo Lages disse que essa foi uma das festas da virada mais tranquilas da unidade que comanda:
— Na minha delegacia só tivemos três prisões em flagrante: duas agressões pela Lei Maria da Penha e um crime por dano ao patrimônio público. Neste último caso, uma pessoa lançou uma pedra no carro da polícia, perto da meia-noite.
Felipe Curi, secretário de Polícia Civil, observa que os números do réveillon ainda estão sendo levantados e devem ser apresentados hoje.
— Tivemos resultados muito expressivos na segurança pública ao longo deste ano, especialmente agora no período de festas, com a cidade cheia de turistas — afirmou Curi. —Para o próximo ano, a expectativa é ampliar ainda mais esse tipo de ação, com mais integração, mais inteligência.
Sempre há o que melhorar. Daniela Moreira que o diga: moradora de Volta Redonda, em seu quarto réveillon em Copacabana, ela ontem de manhã penava à espera para usar o banheiro do Posto 2.
— Estou na fila desde 6h. Agora já são 8h20, e ainda não tem previsão. É a primeira vez que passo tanto sufoco só para conseguir tomar um banho — lamentou.
Entre o maior réveillon do planeta e alguns apertos, muita gente esticou a hora de deixar a praia — e a cidade. Dados fornecidos pela Rodoviária do Rio informam que o número de embarques de ontem (17.797) foi quase a metade do esperado para o próximo domingo (35.752), um indício de que, quem pôde, enforcou esta sexta-feira para curtir o fim de semana na cidade.
O perigo do mar
A virada de 2025 para 2026 teve 20 vezes mais resgates no mar, na orla da Zona Sul, do que o réveillon anterior. Segundo o Corpo de Bombeiros, entre as 7h do dia 31 e as 6h de ontem foram realizados 547 resgates de banhistas. Esse volume pode ser atribuído à ressaca que provocou ondas de até 2,5 metros. No réveillon anterior, foram 29 salvamentos.
— Fizemos vários alertas. Mas, infelizmente, a população não colaborou com as orientações do Corpo de Bombeiros — afirmou o tenente-coronel Fabio Contreiras, porta-voz da corporação.
O ponto com mais resgates foi o Posto 8, próximo ao Arpoador. Depois, veio o Posto 1, no Leme, seguido do Posto 3, perto do palco principal da festa da virada. O caso mais grave na orla do Rio foi o de um menino de Campinas, que estava com a família no Posto 2. Ele brincava na areia quando foi arrastado e levado por uma onda. Até a noite de ontem, ainda não havia sido encontrado.
Em Maricá, um idoso de 70 anos morreu afogado na manhã de ontem na Praia de Itaipuaçu.
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