RJ em Foco
Mais de 250 presos que deixaram presídios na 'saidinha' de Natal não retornaram; maioria é do CV
Além disso, policiais e milicianos beneficiados pela visita periódica ao lar voltaram até o dia 30, quando terminava o prazo
Sete anos após ser preso pela Polícia Federal, Tiago Vinicius Vieira, conhecido como Dourado, acusado de chefiar grandes assaltos e atuar no tráfico de drogas e armas, voltou às ruas. Ele foi um dos 1.868 presos beneficiados com a para visitar a família no Natal — a chamada “saidinha” —, mas não retornou à prisão em 30 de dezembro, como previsto.
Quase mil presos deixaram as cadeias do Rio em 'saidinhas'
'Não tinha família aqui, só um filho de seis anos na Suíça',
Tiago é um dos 258 internos que não regressaram após o benefício. Desse total, 150 eram integrantes do Comando Vermelho (CV). Ao todo, 346 presos ligados à facção obtiveram a Visita Periódica ao Lar (VPL) no período natalino, o que representa 47,45% dos beneficiados do CV. O número também indica um crescimento de 7% em comparação ao ano passado.
Segundo sua ficha criminal, Tiago é de “altíssima periculosidade” para a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), e apontado como integrante do Terceiro Comando Puro (TCP), facção que atua no Mato Grosso do Sul (MS). Ele foi preso em flagrante no Rio, negociando drogas sintéticas. Na ocasião da prisão, realizada pela PF em 11 de dezembro de 2018, Tiago estava foragido de uma penitenciária de segurança máxima de Campo Grande (MS).
Outros três fugitivos considerados igualmente perigosos, todos ligados ao CV, também não retornaram às unidades prisionais. São eles os traficantes André Luiz de Almeida, o Nestor do Tuiuti; Márcio Aurélio Martinez Martelo, o Bolado, da Fallet; e Sérgio Luiz Rodrigues Ferreira, conhecido como Salgueiro ou Problema. Eles são, respectivamente, chefes do Morro do Tuiuti, na Zona Norte do Rio, e do Fallet, em Santa Teresa, além de gerente da favela da Lagoa, em Magé.
Uma semana antes de morrer,
Dos 258 presos que não retornaram, 39 eram do TCP, 23 da facção Amigos dos Amigos (ADA) e 46 se declaravam neutros, ou seja, não pertencem a nenhuma organização criminosa. Considerando esses quatro grupos, as evasões do Natal foram distribuídas da seguinte forma: 58,1% do CV, 17,8% neutros, 15,1% do TCP e 8,9% da ADA.
Na lista de beneficiados com a saída temporária havia ainda 21 policiais e 23 milicianos. Nesse grupo, no entanto, todos retornaram aos presídios.
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Segundo a legislação, têm direito à saída temporária os presos em regime semiaberto que tenham cumprido um sexto da pena, no caso de condenados primários, ou um quarto, no caso de reincidentes. Além disso, o detento deve apresentar comportamento adequado, sob pena de não fazer jus ao benefício.
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