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Bombeiros fazem 175 resgates até o final da tarde em Copacabana; mar agitado dificulta buscas por adolescente que desapareceu

Corporação também já realizou 4.215 prevenções — quando guarda-vidas alertam banhistas sobre riscos, como correntes ou valas no mar

Agência O Globo - 31/12/2025
Bombeiros fazem 175 resgates até o final da tarde em Copacabana; mar agitado dificulta buscas por adolescente que desapareceu
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Corpo de Bombeiros do Rio realizou 175 resgates no mar de Copacabana até as 17h30 desta quarta-feira. A região é impactada por mudanças meteorológicas, anunciadas ontem pela Marinha, que proporcionaram ressaca com possibilidade de ondas de até 2,5 metros de altura. Nesse mesmo período, 4.215 prevenções foram feitas — quando guarda-vidas alertam banhistas sobre riscos, como correntes ou valas no mar. Durante a manhã, um adolescente de São Paulo se afogou na altura do Posto 2, e as buscas já envolvem apoio de mergulhadores, drones, equipes em moto aquáticas e aeronave. Segundo a corporação, as condições do mar atrapalham a procura.

De acordo com os bombeiros, o menino tem entre 10 e 14 anos e estava brincando com uma prancha infantil no mar, próximo ainda à faixa de areia. No entanto, ele foi atingido por uma arrebentação, afundou e desapareceu em seguida. A ação aconteceu tão rapidamente, que os guarda-vidas não conseguiram fazer o resgate.

O caso foi registrado às 11h37, quando o grupamento marítimo de Copacabana foi acionado. Na última atualização da corporação, de 16h30, foi informado que a ressaca tem dificultado a visibilidade sobre o mar, afetando diretamente as buscas.

Alerta da Defesa Civil

A Secretaria de Estado de Defesa Civil do Rio de Janeiro emitiu um alerta, no início da tarde desta quarta-feira, de ressaca para o litoral fluminense. O aviso foi transmitido pelo Centro Estadual de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden-RJ) para celulares. As praias da capital estão lotadas desde o início da manhã em razão das celebrações de réveillon.

O alerta do órgão surpreendeu a muitos, com direito a aviso com som para chamar a atenção da população. A mensagem destaca que, em caso de emergência, o socorro deve ser acionado, tanto sinalizando a um salva-vidas no local como pelo número 193, onde são feitos os registros de ocorrências. Não é indicado que se tente fazer o socorro de vítimas de afogamento.

— A ressaca aumenta significativamente o risco de afogamentos. Por isso, pedimos que a população colabore, respeite a sinalização, evite o banho de mar e priorize a segurança neste período de réveillon — afirmou o secretário de Defesa Civil e comandante geral do Corpo de Bombeiros, Tarciso Salles.

Cuidados no mar

Devido às condições do mar, bandeiras vermelhas foram espalhadas pela orla em sinal de alto risco de afogamento. O sistema de som do palco principal, instalado na altura do Copacabana Palace, também está emitindo alertas e recomendações sobre ajuda dos guarda-vidas.

O alerta de ressaca segue até amanhã, com aumentos de energia das ondas, que estão mais fortes e altas. No caso das crianças, a atenção é reforçada com o conselho de usar pulseirinhas de identificação, com nome e telefone do responsável.

À noite, quando o público estiver lotando as areias das praias para acompanhar a virada, a previsão é que o mar esteja com ondas fortes, o que piora as condições de banho. Por isso, o tenente-coronel Fabio Contreiras alerta que pode ser necessário adiar o ritual de dar sete pulinhos na virada e sugere distância de onde as ondas quebram.

— A fé é muito importante, faz parte de um processo muito importante. Mas temos que pensar na nossa vida primeiro e lembrar que a natureza é implacável. A orientação é dar os pulinhos longe da arrebentação, e o mais longe possível da água. O mar estará com muita energia (força), com corrente muito forte. A energia no mar não é somente a onda alta e pode derrubar e arrastar uma pessoa idosa ou criança, por exemplo — explica o oficial dos Bombeiros.

A recomendação de cuidados a tomar inclui não frequentar mirantes e pedras próximas do mar, em locais como o Arpoador e o Leblon. Os ciclistas também devem parar de pedalar pela orla se as ondas atingirem a ciclovia.