Política

Derrotado, Flávio afirma que vai disputar eleição antes de 2030. Resta saber: Prefeito ou vereador no Sul? Se for no Nordeste, o risco é outra lapada

Senador fala em disputar a Presidência antes de 2030, mas o calendário regular oferece eleições municipais em 2028; no Nordeste, a última resposta das urnas não deixou saudade

Redação 31/10/2026
Derrotado, Flávio afirma que vai disputar eleição antes de 2030. Resta saber: Prefeito ou vereador no Sul? Se for no Nordeste, o risco é outra lapada
Derrotado, Flávio afirma que vai disputar eleição antes de 2030. Resta saber: Prefeito ou vereador no Sul? Se for no Nordeste, o risco é outra lapada

Flávio Bolsonaro parece estar com pressa de pedir uma revanche. Em transmissão dos Estados Unidos, na sexta-feira (30), o senador derrotado na disputa presidencial afirmou que poderá concorrer novamente ao Palácio do Planalto antes de 2030. A declaração veio depois de sua saída do Brasil, apesar da determinação judicial que o proibia de deixar o país.

“Eu não estou falando de 2030 não, eu estou falando de antes disso”, declarou.

Para quem não quer esperar, o calendário regular oferece uma alternativa menos cinematográfica: em 2028, haverá eleição para prefeito, vice-prefeito e vereador. O Palácio do Planalto não está nesse pacote.

Fica, então, a sugestão: que escolha um município do Sul ou do Sudeste, conheça os problemas da cidade e descubra se prefere disputar uma prefeitura ou uma cadeira na Câmara Municipal. No Nordeste, seria prudente consultar o placar antes de encomendar os santinhos. O risco de outra lapada recomenda alguma cautela.

A afirmação tem uma referência concreta. No segundo turno de 25 de outubro, Lula venceu nos nove estados nordestinos e recebeu 69,37% dos votos válidos da região, contra 30,63% de Flávio. Uma diferença de 38,74 pontos percentuais. Não foi exatamente uma recepção calorosa ao projeto do senador.

Eleição municipal tem dinâmica própria, e o resultado presidencial não determina o que aconteceria em uma candidatura local. Mas, como ponto de partida para a ironia, o mapa é eloquente: antes de anunciar uma nova missão para “salvar o país”, talvez seja necessário convencer os eleitores de uma cidade.

Quem sabe trocar, por algum tempo, o discurso sobre o destino da nação por propostas para iluminação pública, transporte e buracos nas ruas? Problema para resolver não falta. Só não vale prometer consertar a praça e, depois de perder, acusar o banco do jardim de participar do “sistema”.

É importante registrar: Flávio não anunciou candidatura municipal. Falou expressamente em disputar novamente a Presidência. Prefeito ou vereador é a resposta irônica à pressa demonstrada pelo senador.

Há hipóteses excepcionais de nova eleição presidencial antes do calendário regular. A Constituição prevê, por exemplo, eleição quando ficam vagos os cargos de presidente e vice-presidente, observadas as regras do artigo 81. São situações que dependem de pressupostos constitucionais, não da insatisfação de quem perdeu.

No pronunciamento, Flávio não explicou qual caminho constitucional sustentaria sua expectativa de concorrer novamente antes de 2030.

Enquanto esse esclarecimento não vem, o calendário continua oferecendo a mesma resposta: para disputar as próximas eleições regulares, há prefeituras e câmaras municipais em 2028.

A Constituição não tem botão de “jogar novamente”. E, no Nordeste, a urna já mostrou que revanche não vem com vitória garantida.