Política
Al Jazeera expõe denúncias de manipulação da Meta nas eleições brasileiras e possível favorecimento a Flávio Bolsonaro; veja vídeo
Em reportagem internacional, emissora destaca acusações de restrições a conteúdos de Lula no Instagram e Facebook, recomendações de perfis ligados ao adversário e intervenção do TSE; empresa nega interferência eleitoral.
As denúncias de possível interferência da gigante norte-americana Meta nas eleições presidenciais brasileiras ganharam repercussão internacional. A Al Jazeera, uma das principais redes de comunicação do mundo, publicou reportagem sobre as suspeitas de tratamento desigual entre as campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputam o segundo turno neste domingo (25).
O assunto também circula em vídeos compartilhados nas redes sociais, que repercutem as acusações contra a empresa controladora do Instagram, Facebook e WhatsApp.
Em reportagem publicada em 21 de outubro, assinada pelo jornalista Umar Farooq, a Al Jazeera questiona se as plataformas digitais estão proporcionando condições equilibradas aos candidatos brasileiros.
A publicação destaca denúncias de que conteúdos favoráveis a Lula teriam sofrido restrições de alcance e compartilhamento, enquanto publicações associadas a Flávio Bolsonaro teriam recebido tratamento diferente dos sistemas de recomendação.
As acusações levaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a determinar medidas para assegurar tratamento igualitário às candidaturas.
Funcionários da Meta reconheceram restrições a contas de Lula
Um dos episódios apresentados pela imprensa internacional envolve mensagens internas de funcionários da Meta, inicialmente reveladas pela Folha de S.Paulo.
Segundo as informações reproduzidas pela Al Jazeera em 16 de outubro, as comunicações reconheciam que contas de Lula no Instagram haviam sido prejudicadas por restrições técnicas.
As mensagens também mencionavam recomendações do perfil de Flávio Bolsonaro e de seu canal no WhatsApp.
A revelação ampliou os questionamentos sobre o funcionamento dos algoritmos responsáveis por determinar quais conteúdos aparecem para milhões de usuários brasileiros.
A Meta reconheceu a ocorrência de problemas técnicos, mas afirmou que eles não decorreram de favorecimento político deliberado.
TSE determina igualdade de tratamento e eleva multa para R$ 1 milhão
A controvérsia chegou ao Tribunal Superior Eleitoral depois que a campanha de Lula apresentou reclamações sobre dificuldades na distribuição de conteúdos eleitorais.
Entre os problemas relatados estavam a redução do alcance de publicações, limitações em mecanismos de compartilhamento e dificuldades na localização de determinados conteúdos.
Em decisão divulgada pela Al Jazeera em 19 de outubro, a Justiça Eleitoral aumentou para R$ 1 milhão a multa diária por descumprimento das determinações judiciais e exigiu esclarecimentos da Meta sobre o tratamento dispensado às candidaturas.
A decisão buscou garantir que as ferramentas digitais fossem aplicadas de maneira isonômica durante a reta final da campanha.
A existência das determinações judiciais, contudo, não significa que a Justiça tenha concluído pela ocorrência de manipulação intencional dos algoritmos.
Organizações apontam mais de mil denúncias de restrições
A reportagem da Al Jazeera também apresenta levantamentos de entidades que monitoram direitos digitais e a atuação das grandes plataformas.
A organização CTRL+Z informou ter reunido aproximadamente 1.100 relatos de contas removidas ou submetidas a restrições de alcance durante o processo eleitoral de 2026.
Segundo a entidade, os casos identificados envolviam principalmente perfis de apoio à candidatura de Lula.
Outro levantamento, realizado pelo NetLab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), identificou mais de 1.600 anúncios políticos veiculados nas plataformas da Meta com pagamentos realizados por empresas localizadas fora do Brasil.
Os anúncios, segundo os pesquisadores, movimentaram aproximadamente R$ 2 milhões e levantaram preocupações sobre o financiamento e a circulação de propaganda política irregular.
As descobertas reforçaram os pedidos de maior transparência sobre o funcionamento dos sistemas de moderação e publicidade eleitoral.
Comitê da própria Meta reconhece falhas
As críticas não ficaram restritas às campanhas eleitorais e às organizações da sociedade civil.
Em 20 de outubro, o Comitê de Supervisão da Meta, órgão independente responsável por examinar decisões de moderação da empresa, apontou falhas recorrentes na aplicação das regras relacionadas à integridade eleitoral.
O colegiado manifestou preocupação com as restrições técnicas que atingiram contas de uma candidatura presidencial brasileira e com a necessidade de maior transparência na aplicação das políticas da plataforma.
A avaliação foi divulgada pela Agência Brasil e acrescentou um novo elemento ao debate sobre a responsabilidade das empresas de tecnologia durante as eleições.
Meta nega favorecimento e atribui problemas a falhas técnicas
Em manifestações públicas, a Meta rejeitou as acusações de que estaria interferindo deliberadamente no processo eleitoral brasileiro.
A empresa afirmou que os episódios envolvendo contas e anúncios de Lula decorreram de problemas técnicos e que suas ferramentas são aplicadas sem preferência partidária.
Também contestou interpretações de levantamentos realizados por organizações de monitoramento digital.
Em nota publicada em outubro, a companhia sustentou que não existem evidências suficientes para concluir que tenha privilegiado deliberadamente uma candidatura.
Disputa eleitoral brasileira ganha dimensão internacional
A repercussão na Al Jazeera evidencia a importância assumida pelas plataformas digitais na disputa política brasileira.
Instagram, Facebook e WhatsApp são utilizados diariamente por milhões de brasileiros para acessar notícias, acompanhar candidatos e compartilhar informações.
A capacidade dessas plataformas de ampliar ou restringir a circulação de determinados conteúdos tornou-se uma questão central no debate sobre transparência, liberdade de expressão e equilíbrio eleitoral.
A menos de 24 horas da abertura das urnas, as denúncias contra a Meta permanecem sob acompanhamento da Justiça Eleitoral.
VEJA O VÍDEO: Reportagem da Al Jazeera repercute denúncias de tratamento desigual nas plataformas da Meta durante as eleições brasileiras, incluindo restrições a conteúdos de Lula e questionamentos sobre a distribuição de publicações associadas a Flávio Bolsonaro.
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