Política

Imprensa internacional repercute ofensa capacitista de Flávio Bolsonaro a Lula

Em vídeo, o jornal italiano La Stampa destacou o momento em que Flávio chamou o presidente de “nove dedos” e a resposta de Lula, que lembrou ter perdido o dedo em um acidente quando era menor, de madrugada, obrigado a trabalhar para comer

REDAÇÃO 24/10/2026
Imprensa internacional repercute ofensa capacitista de Flávio Bolsonaro a Lula
Imprensa internacional repercute ofensa capacitista de Flávio Bolsonaro a Lula

A ofensa de Flávio Bolsonaro ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o debate da TV Globo, na noite de sexta-feira (23), repercutiu em veículos da imprensa internacional. Jornais e agências estrangeiras noticiaram o episódio em que o senador usou a deficiência física de Lula para atacá-lo. A fala foi criticada como capacitista por transformar uma sequela de acidente de trabalho em motivo de humilhação.

Ao falar sobre o salário mínimo, Flávio disse que Lula “dá com uma mão e tira com os nove dedos”. O presidente interrompeu o adversário e exigiu que ele se retratasse. “Se tem alguém aqui nesse púlpito que sabe o que é trabalho, sou eu”, respondeu. Depois, Flávio pediu desculpas, afirmando que não queria ofendê-lo.

Em vídeo publicado neste sábado (24), o jornal italiano La Stampa destacou a ofensa e a reação de Lula. A imprensa italiana também repercutiu o caso por meio da agência ANSA e do jornal La Repubblica. O espanhol El País igualmente registrou a referência de Flávio ao acidente que deixou Lula sem o dedo mínimo da mão esquerda.

Por trás da marca física há a história de um jovem trabalhador. Lula perdeu o dedo mínimo em 1964, ainda adolescente, enquanto trabalhava como metalúrgico em uma fábrica. O acidente aconteceu durante a madrugada, em um turno noturno, quando ele dependia do trabalho para sobreviver. A mão ferida não é motivo de piada: é lembrança de uma vida de trabalho e das condições inseguras a que tantos operários foram submetidos.

Ao cobrar respeito, Lula também falou por trabalhadores que sofreram acidentes e carregam no corpo as consequências de jornadas exaustivas e da falta de segurança. O episódio expôs o capacitismo presente em usar uma deficiência como insulto e provocou repercussão para além do Brasil.

O vídeo do La Stampa acompanha esta matéria.