Política

Moraes bloqueia R$ 6 bilhões e cancela passaportes de advogadoWiller Tomaz investigado com Flávio Bolsonaro pela Polícia Federal

Medidas visam combater suspeitas de lavagem de dinheiro.

Aguirre Talento 23/10/2026
Moraes bloqueia R$ 6 bilhões e cancela passaportes de advogadoWiller Tomaz  investigado com Flávio Bolsonaro pela Polícia Federal
Ministro Alexandre de Moraes - Foto: © Foto / Luiz Silveira / STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou o bloqueio de bens e o sequestro de R$ 6 bilhões do advogado Willer Tomaz, alvo de investigação por suspeitas de lavagem de dinheiro para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A decisão foi proferida nesta sexta-feira, 23, dias após virem a público informações sobre a movimentação financeira bilionária de Willer Tomaz em apostas esportivas. Além dos bloqueios de bens, Moraes também determinou o cancelamento dos passaportes do advogado, sob o argumento de que ele viajou para o exterior após se tornar alvo de investigações da Polícia Federal.

As medidas foram decretadas no segundo inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal contra Flávio Bolsonaro, revelado pelo Estadão no último domingo, 18, que está sob relatoria de Moraes.

O ministro também determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Willer Tomaz e de suas empresas, incluindo a Alcazar Holding, além de solicitar que as instituições bancárias informem todos os correntistas vinculados a essas contas.

Essas ações foram determinadas para verificar se o senador Flávio Bolsonaro era efetivamente usuário de contas bancárias vinculadas ao advogado. A investigação da Polícia Federal teve acesso a e-mails em que uma funcionária de Willer solicita a uma instituição bancária que Flávio fosse descredenciado do perfil de "usuário master" de uma dessas contas.

Uma das suspeitas da PF era de que as contas do advogado serviam para ocultar patrimônio e lavar dinheiro para o senador; portanto, as medidas foram tomadas.

Em nota, a defesa de Willer Tomaz classificou as medidas como "desproporcionais" e afirmou que Flávio nunca movimentou as contas dele.

"As determinações contra o advogado Willer Tomaz são desproporcionais e escancaram uma fishing expedition em pleno período eleitoral. A investigação nasceu da Operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS, com as quais Willer não tem qualquer relação. Sem encontrar nada que o ligasse ao esquema, passou a vasculhar indiscriminadamente sua vida pessoal e profissional em busca de qualquer pretexto para a devassa. O bloqueio de até R$ 6 bilhões é uma cifra aleatória, sem correspondência com seu patrimônio. A suspensão de todas as suas empresas impõe punição antecipada, sem acusação, processo ou condenação. É falsa a informação de que Flávio Bolsonaro seria "usuário master" de conta da Alcazar. Os dois são amigos, e um nunca movimentou recursos do outro. Não por acaso, uma decisão sob sigilo chega à imprensa a menos de 48 horas do segundo turno. A defesa tenta ter acesso", afirmou a defesa.