Política
STF tem cinco ministros ligados direto ou indiretamente com o Master, diz Lula
Presidente critica conexões com escândalo e pede reforma do Judiciário
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira, 18, que "cinco ministros" do Supremo Tribunal Federal (STF) "estão ligados direta ou indiretamente" ao escândalo do Banco Master, e que, antes de discutir uma reforma do Judiciário, é necessário "resolver esse problema". Ele mencionou explicitamente os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ressaltando que "ninguém está defendendo" os negócios deles com o Master.
Sem citar diretamente o nome do ministro Kassio Nunes Marques, Lula também aludiu a uma reportagem que revelou mensagens indicando que o ministro teria encontrado uma acompanhante paga por Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Lula concedeu uma entrevista à Rádio Tupi nessa sexta-feira, 18, antes de participar de compromissos no Rio de Janeiro ao lado do governador interino do Estado, desembargador Ricardo Couto.
Para o presidente, a crise no STF "contamina tudo" no processo eleitoral. "Obviamente que me preocupa, porque precisamos discutir como consertar isso. É preciso ter uma reforma do Judiciário, mas antes disso devemos resolver esse problema. Ali, você tem cinco ministros que estão ligados direta ou indiretamente", declarou.
Lula elogiou Moraes antes de mencionar seu envolvimento no caso Master, afirmando que ele "teve um papel extremamente importante nas eleições e na manutenção da democracia" e que o senador Flávio Bolsonaro (PL) "tem bronca dele não por causa do Master, mas porque Moraes prendeu o pai dele, Jair Bolsonaro".
"O Alexandre Moraes teve um papel extremamente importante nas eleições e na manutenção da democracia. Pela primeira vez, tivemos quatro generais presos, e isso é histórico. E pela primeira vez, um presidente foi preso por tentar dar um golpe. Ninguém está defendendo o contrato que o Alexandre Moraes fez com o Banco Master. Ninguém está defendendo o Toffoli, que fez acordo com o Banco Master. Estamos defendendo que quem quiser ir para a Suprema Corte não pode querer ser rico", afirmou.
Orgia e mais orgia
Sobre a situação de Nunes Marques, Lula adotou um tom irônico. Ele sugeriu que o ministro André Mendonça, relator da investigação do Master no STF, "segurou" informações sobre o caso que em breve virão a público. O presidente destacou que Vorcaro promovia "orgia e mais orgia".
"Ainda não saiu tudo, porque o André Mendonça tinha muitas informações que ele segurou. Acredito que vamos descobrir tudo. Os ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes já têm as fitas que estavam apenas com o André. Agora, basta começar a divulgar as informações", afirmou.
"Tem muita gente com medo da República. Era orgia e mais orgia, uma sacanagem impensável para o cidadão comum. Saiu até uma matéria sobre um cidadão que esteve com uma mulher que custou R$ 10 mil e ele ainda não pagou, mandou o banco pagar. Só faltou ele tentar entrar no Desenrola para pagar a dívida dele. É essa baixaria que tem que acabar na política", declarou.
Lula expressou "com tristeza" as revelações sobre o caso Master. "A sociedade não deve aceitar isso como normal. Você tem um cidadão que era um zé ninguém, e o governo Bolsonaro fez dele um banqueiro, acusando-o de um desfalque de R$ 60 bilhões, envolvendo outros bancos e governos estaduais", declarou.
"Ele corrompeu todo mundo. Se você observar as fitas que estão sendo degravadas do celular dele, ele corrompeu todos, patrocinava orgias, trazia mulheres da Suécia, da Suíça, não sei de onde, para os bacanas brasileiros que gostam dessas coisas. Ele envolveu membros da Suprema Corte, deputados, senadores, todo mundo", disse.
Questionado sobre a possibilidade de a crise no STF afetar o processo eleitoral, Lula respondeu que "vai respingar na reta final". Mas ele reiterou: "O que queremos mostrar é quem é o culpado disso. E se chama Bolsonaro. Esse banco não existia e foi criado no governo Bolsonaro".
O presidente ressaltou que "é nesses momentos de crise que devemos tomar as decisões corretas. Muitas vezes, pensamos que é para piorar, mas pode ser para ajudar".
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