Política
No RN, crise fiscal do governo atual vira munição para Allyson e pressiona Cadu de Lula
Avalanches de críticas se intensificam na campanha para o governo do Rio Grande do Norte.
A dificuldade do governo Fátima Bezerra (PT) para realizar repasses constitucionais às prefeituras entrou na campanha pelo governo do Rio Grande do Norte e ampliou a pressão sobre Cadu Xavier (PT), que disputa a eleição como Cadu de Lula. Ex-secretário estadual da Fazenda e candidato apoiado pela governadora, Cadu passou a responder eleitoralmente pelo quadro fiscal de uma gestão da qual fez parte por sete anos.
O tema passou a ser explorado por Allyson Bezerra (União Brasil), líder da disputa. No debate promovido pelo Sistema Tribuna na terça-feira, 15, Allyson afirmou que o governo comete "crime de responsabilidade" ao reter recursos devidos aos municípios. A campanha transformou o ataque em conteúdo para as redes sociais e publicou ao menos dois vídeos sobre o assunto.
Em uma das peças, Allyson acusa a gestão estadual de não respeitar os municípios e promete regularizar as transferências caso seja eleito. Em outra, classifica a situação do Estado como um "verdadeiro desmantelo" e volta a citar os repasses devidos às prefeituras.
Em entrevista ao programa Dê o Play, da Jovem Pan Natal, na quarta-feira, 16, Fátima reconheceu dificuldades no fluxo financeiro do Estado e atribuiu o quadro à frustração das receitas. "Infelizmente, este ano vem acontecendo uma frustração de receitas. Isso tem trazido dificuldades do ponto de vista do fluxo financeiro que o Estado dispõe para fazer face às suas obrigações", afirmou.
A governadora disse, porém, que a gestão mantém os compromissos essenciais. "O que eu quero deixar muito claro é que nós estamos cumprindo com as nossas obrigações básicas."
A Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn) estima que, mesmo após o pagamento anunciado pelo governo, ainda restariam cerca de R$ 185 milhões em transferências pendentes. A entidade informou que levará o caso aos Ministérios Públicos Estadual e Federal e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN).
O governo anunciou para quarta-feira o repasse de aproximadamente R$ 137 milhões e afirmou que o pagamento encerraria as pendências relacionadas ao ICMS e ao Fundeb. A Femurn contestou a versão e disse que o montante se referia a obrigações acumuladas, sem contemplar integralmente os valores que venceram posteriormente.
A pressão sobre o caixa estadual já havia levado Fátima a restringir despesas com diárias e passagens, nomeações e novos contratos, além de determinar uma redução de 25% nos gastos de custeio até o fim do ano. Segundo relatório oficial, a receita ficou R$ 722,1 milhões abaixo da meta no primeiro semestre. Desse total, R$ 509,7 milhões correspondem à frustração das receitas do Fundo de Participação dos Estados (FPE).
Fátima aposta em Cadu no segundo turno
Apesar do desgaste fiscal, Fátima afirmou, na mesma entrevista, que continua acreditando na presença de Cadu no segundo turno. Segundo ela, a transferência do voto dos eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o candidato petista deve crescer até a eleição.
Pesquisa Exatus divulgada na quinta-feira, 17, mostrou Allyson com 43,33% das intenções de voto, seguido por Cadu, com 21,07%, e Álvaro Dias, com 20,27%. Cadu e Álvaro estão tecnicamente empatados, considerada a margem de erro de 2,53 pontos porcentuais para mais ou para menos.
O levantamento ouviu 1.500 eleitores entre os dias 14 e 16 de setembro, tem nível de confiança de 95% e foi registrado sob os números RN-03910/2026 e BR-06311/2026. A pesquisa foi contratada pelo Grupo Agora RN.
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