Política

Justiça remove postagem que distorce fala de Renan Filho em debate

Decisão aponta que chamada usada pela Rede Francês modifica sentido e determina retirada do conteúdo de seis perfis

15/09/2026
Justiça remove postagem que distorce fala de Renan Filho em debate
Emissora ligada a João H Caldas é obrigada a retirar conteúdo deturpado

A Justiça Eleitoral determinou a retirada de uma postagem da Rede Francês, ligada a João Henrique Caldas, o JHC, que acusava o candidato ao Governo de Alagoas, Renan Filho (MDB), de ter feito uma fala misógina. A decisão é do desembargador eleitoral Maurício César Breda Filho e alcança seis perfis que divulgaram o conteúdo de forma conjunta.

Na decisão, o magistrado aponta uma diferença importante entre o texto da publicação e a chamada exibida no vídeo. Na legenda, a acusação de misoginia era atribuída a Tenorinho Malta e aliados. Na tarja de maior, em destaque, porém, aparecia diretamente a expressão “fala misógina de Renan Filho”, sem informar que aquela era uma avaliação feita por terceiros.

A tentativa do grupo de JHC de associar diretamente Renan Filho à misoginia acabou barrada pela Justiça. O relator também considerou a forma como o conteúdo foi apresentado: a frase aparecia junto às imagens de Lara Malta emocionada, criando uma associação entre a reação dela e a acusação contra o candidato.

Outro ponto destacado pela Justiça foi a ausência, na postagem, da explicação dada por Renan Filho durante o próprio debate. Ao ser acusado de misoginia e preconceito, ele contestou a interpretação e explicou que sua crítica não era dirigida à secretária, mas à atuação política atribuída a Celso Luiz e ao grupo mencionado.

A publicação deverá ser retirada dos perfis Francês News, Francês FM Coruripe, Francês FM Delmiro, Francês FM Arapiraca, Francês FM Penedo e Francês FM Agreste, todos ligados a JHC. O prazo é de 24 horas, com multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento, limitada a R$ 50 mil.

A Justiça também determinou que a Meta retire tecnicamente o conteúdo caso a ordem não seja cumprida pelas empresas responsáveis. A plataforma deverá preservar informações sobre a publicação, como alcance, interações, histórico de edição e eventual impulsionamento.

Na mesma decisão, o desembargador advertiu os responsáveis de que uma nova irregularidade eleitoral, caso seja constatada em outra representação, poderá levar à suspensão temporária do perfil envolvido, inicialmente por 24 horas. Em caso de nova repetição da conduta, o período poderá ser ampliado.