Política

Valor Econômico, veículo sediado no Rio de Janeiro, repercute escândalo do Iprev/Maceió, que envolve JHC

Documento identifica possíveis falhas nas operações realizadas pelo instituto de previdência durante a gestão municipal; caso é alvo de investigação da Polícia Federal

Redação com Valor Econômico 13/09/2026
Valor Econômico, veículo sediado no Rio de Janeiro, repercute escândalo do Iprev/Maceió, que envolve JHC
Os aportes de R$ 97 milhões foram realizados em duas operações, em dezembro de 2023 e maio de 2024, durante a gestão do então prefeito JHC - Foto: Arquivo

Segundo divulgado no portal Valor Econômico, sediado no Rio de Janeiro, neste sábado,12, um relatório que integra a investigação sobre investimentos do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) no Banco Master aponta uma série de possíveis irregularidades na aplicação de R$ 97 milhões dos recursos previdenciários. Os aportes foram realizados em duas operações, em dezembro de 2023 e maio de 2024, durante a gestão do então prefeito João Henrique Caldas, o JHC.

Segundo informações levantadas na investigação, o Iprev aplicou R$ 80 milhões no Banco Master em uma primeira operação e, posteriormente, realizou um novo aporte de R$ 17 milhões. Ao todo, os investimentos chegaram a R$ 97 milhões.

A aplicação dos recursos chama atenção porque os valores pertencem ao sistema previdenciário municipal e, portanto, estão vinculados ao pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores públicos. A Polícia Federal passou a investigar as circunstâncias dos investimentos e realizou diligências relacionadas ao Iprev de Maceió.

O relatório aponta indícios de que procedimentos adotados na escolha dos investimentos podem não ter observado adequadamente os critérios exigidos para a aplicação de recursos previdenciários. Entre os pontos analisados estão a atuação de empresas de consultoria e as condições que antecederam a decisão de direcionar os recursos para o Banco Master.

As suspeitas fazem parte de uma investigação mais ampla envolvendo investimentos realizados por fundos de previdência de diferentes municípios e estados no Banco Master. O levantamento aponta que Maceió está entre os entes públicos que mantiveram recursos aplicados na instituição financeira.

O caso ganhou maior repercussão após a liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, medida tomada diante da grave situação financeira da instituição e de violações identificadas pelo órgão regulador.

A investigação busca esclarecer se houve falhas na tomada de decisão, eventual favorecimento ao banco ou outras irregularidades na aplicação dos recursos públicos. A existência de suspeitas, contudo, não significa que os responsáveis tenham sido considerados culpados, já que as apurações ainda estão em andamento.

O episódio também amplia a pressão sobre a gestão do Iprev e sobre os responsáveis pelas decisões de investimento adotadas à época. As autoridades deverão analisar documentos, contratos, pareceres técnicos e a atuação dos envolvidos para determinar se houve prejuízo ao patrimônio previdenciário municipal e eventual responsabilidade administrativa ou criminal.

A aplicação de recursos previdenciários no Banco Master integra hoje um dos capítulos das investigações que apuram a atuação da instituição financeira e suas relações com fundos de previdência de entes públicos.