Política
JHC usa “nada consta”, pesquisa e decisão desatualizada para desviar atenção do Caso Master
Candidato ao governo disparou sequência de artifícios para acobertar divulgação de documentos da PF que apontam responsabilidade administrativa pelos repasses do Iprev ao Banco Master
Além de fugir do debate da Band Nordeste, o candidato a governo de Alagoas pelo PSDB, João Henrique Caldas, disparou uma bateria completa de fogos de artifício, neste sábado (12), para desviar a atenção dos eleitores da divulgação de documentos da Polícia Federal que atribuem responsabilidade administrativa do ex-prefeito de Maceió nos repasses de R$ 97 milhões do Iprev para o Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro.
Os relatórios da PF, do Ministério Público Federal (MPF) e da Justiça Federal foram tornados públicos por decisão do relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça. A documentação aponta que o caso dos repasses do Iprev ao Master foi remetido ao STF em março após a atribuição de responsabilidade, pela PF, ao então prefeito JHC, que detinha prerrogativa de foro pelo exercício do mandato.
“Os elementos colhidos indicam que o atual Prefeito de Maceió/AL, Sr. João Henrique Caldas (JHC), figura como responsável legal da unidade gestora perante o Ministério da Previdência Social e possui poder direto de nomeação e exoneração da cúpula do Iprev Maceió. Ressalte-se que o foro por prerrogativa de função aplica-se a crimes cometidos no exercício do cargo e em razão das funções a ele relacionadas. No caso em tela, a gestão dos recursos previdenciários municipais está intrinsecamente ligada à administração executiva, justificando o deslocamento”, disse o juiz do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) Raimundo Campos Jr. na decisão que enviou os autos da investigação a STF.
Neste sábado, após a divulgação dos documentos, JHC fez a primeira tentativa de desviar a atenção ao caso: uma publicação em suas redes sociais de uma patética certidão de “nada consta” emitida pelo MPF para qualquer pessoa, pela internet, bastando a informação do núnero de CPF. A publicação ainda acusava o adversário de JHC na disputa pelo governo, Renan Filho (MDB), de divulgar “fake news”, ignorando as alegações da própria Polícia Federal.
Na postagem, JHC não incluiu a mensagem abaixo do “nada consta” na qual era informado que o documento não se refere a procedimentos sob segredo de Justiça, como o inquérito do Caso Master, com exceção dos documentos tornados públicos por André Mendonça na sexta-feira.
O segundo artifício usado por JHC para camuflar a divulgação dos documentos da PF foi uma pesquisa de intenção de votos realizada pelo Instituto Índice Inteligência, na qual JHC aparece em suposta vantagem. A pesquisa foi encomendada por uma emissora de rádio de propriedade do próprio candidato ao governo.
A divulgação de levantamentos questionáveis para acobertar crises na campanha não é uma estratégia nova de JHC e foi usada inclusive no meio da semana passada, após uma sequência de fracassos de público em eventos no interior do estado.
Depois de ver suas primeiras tentativas de mascarar o impacto da divulgação dos documentos da PF sobre os repasses da previdência social dos servidores aposentados de Maceió para o banco de Daniel Vorcaro irem por água abaixo, JHC lançou mão de mais uma cortina de fumaça desesperada: as decisões judiciais.
O candidato determinou a divulgação de uma suposta condenação de Renan Filho por “mentir” ao apontar a responsabilidade administrativa de JHC nos investimentos fraudulentos. O tucano não informou, no entanto, que a decisão foi assinada na quinta-feira (10), um dia antes do levantamento do sigilo sobre a documentação do Caso Master relacionada ao Iprev.
Dessa forma, a partir do fato novo apontado pela liberação dos relatórios, existe a possibilidade concreta de que o posicionamento da Justiça Eleitoral de Alagoas seja modificado em recurso apresentado por Renan Filho.
Entre fugas, “nada consta” genéricos, pesquisas que refletem uma realidade paralela e decisões judiciais desatualizadas, JHC segue sem prestar os esclarecimentos devidos, apostando suas fichas na campanha pelas redes sociais e na cegueira — imaginada por ele — do eleitorado alagoano.
Mais lidas
-
1CLIMA
ONS projeta chuvas acima da média nos subsistemas Sul, Sudeste e Centro-Oeste
-
2ECONOMIA
6 estratégias para humanizar a gestão e acelerar os resultados de vendas
-
3MILITAR
Na região de Carcóvia estão cercados cerca de 1,7 mil militares do Exército ucraniano, diz MD da Rússia
-
4NATUREZA
Baleia-franca visita praia do Leblon e encanta banhistas
-
5RECONHECIMENTO
Zico recebe título de Doutor Honoris Causa com beca nas cores do Flamengo