Política

Produtor de 'Dark Horse' diz que só entregará documentos à PF com ordem da Justiça americana

Estadao Conteudo 12/09/2026
Produtor de 'Dark Horse' diz que só entregará documentos à PF com ordem da Justiça americana
- Foto: © Foto / Divulgação / PF via Agência Brasil

O americano Michael Brian Davis, sócio da produtora GoUp Entertainment, afirmou que os documentos solicitados pela Polícia Federal (PF) sobre gastos com o filme "Dark Horse" nos Estados Unidos só serão entregues mediante determinação da Justiça americana. A manifestação foi registrada em email enviado por Michael à sua sócia, a brasileira Karina Gama, no dia 2 de setembro, e faz parte do inquérito que investiga se a produção cinematográfica, que retratará a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi financiada com recursos do Banco Master. Na última sexta-feira, 11, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça retirou o sigilo das investigações.

Entre os documentos apresentados pela GoUp, constam centenas de notas fiscais de hospedagem de atores e da equipe de filmagem, além de comprovantes de transferências bancárias e contratos com atores brasileiros. Porém, os contratos com atores americanos, por exemplo, não foram disponibilizados.

"Eventuais requisições de autoridades brasileiras que envolvam documentos ou dados sob jurisdição americana devem ser formalizadas exclusivamente pelos canais diplomáticos e de cooperação jurídica internacional competentes, incluindo, quando aplicável, carta rogatória ou pedido de assistência judiciária mútua, de modo que qualquer produção, exibição ou entrega de documentos ocorra somente mediante ordem emanada de juiz norte-americano, assegurando à empresa o amparo legal do processo e o direito ao contraditório", escreveu Davis.

No mês de junho, a GoUp apresentou uma perícia privada sobre os gastos com o filme, detalhando os valores de forma superficial. Segundo o documento, teriam sido utilizados US$ 13,4 milhões nos Estados Unidos, mas sem informações sobre como o montante foi empregado.

Uma das suspeitas da PF é que parte dos recursos tenha sido utilizada para financiar o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) no país. O fundo tem como agente legal o escritório "Law Offices of Paulo Calixto PLLC", que pertence ao advogado Paulo Calixto, representante de Eduardo, que reside nos EUA desde fevereiro de 2025 e é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de articular sanções contra autoridades brasileiras.

Além da investigação sobre o uso de recursos do Banco Master no financiamento de "Dark Horse", existem outros dois procedimentos que avaliam a possível destinação de recursos públicos na obra. Um deles diz respeito ao contrato de R$ 108 milhões entre a Prefeitura de São Paulo e a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB) para a instalação de pontos de Wi-Fi na periferia da capital. A entidade tem Karina Gama, sócia da GoUp, como representante. Desde a última quinta-feira, 10, a apuração, antes conduzida pela Polícia Civil de São Paulo, está sob a responsabilidade do ministro do STF Flávio Dino.

O outro inquérito, também sob a juridição do magistrado, relaciona-se a emendas parlamentares enviadas por deputados federais ao ICB. A suspeita é que os recursos tenham chegado à GoUp através de triangulação com empresas intermediárias. Além disso, na quinta-feira foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão no âmbito dessa investigação.