Política
Pronunciamento de Moraes deve ser feito na segunda-feira, véspera da sessão do STF
Ministro adiou fala por conta de investigações em andamento
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes deve fazer na próxima segunda-feira, 14, um pronunciamento a respeito da sua situação atual na Corte - em especial, em relação ao inquérito das fake news, cuja relatoria foi assumida nesta quarta-feira, 9, pelo presidente da Corte, Edson Fachin. Essa informação tem sido compartilhada por Moraes com seus interlocutores, após a suspensão da fala inicialmente prevista para esta quinta-feira, 10.
Segundo pessoas próximas ao ministro, Moraes avaliou que o timing não seria adequado, uma vez que a Polícia Federal cumpria, na manhã desta quinta, mandados de busca para investigar a destinação de emendas parlamentares ao financiamento do filme "Dark Horse", que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Contudo, ele não desistiu do pronunciamento, apenas decidiu adiá-lo, optando por fazê-lo na véspera da sessão plenária marcada para terça-feira, 15, por Fachin.
Assim como estava previsto para esta quinta, Moraes não concederá uma entrevista coletiva à imprensa na próxima semana. Ele fará apenas um pronunciamento, o que implica que se disporá a passar sua mensagem sem responder a perguntas dos jornalistas.
Conforme apuração do Estadão/Broadcast, o ministro tinha interesse em se pronunciar antes da próxima sessão plenária, inicialmente programada para esta quinta, mas que foi cancelada devido à convocação da sessão para a próxima terça. Nesse encontro, os ministros analisarão os diálogos entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, revelados pelo Estadão, e decidirão se o ministro deve ser investigado.
Antes de afastar Moraes da relatoria do inquérito das fake news, Fachin conversou com ele e com os demais ministros ao longo do dia na última quarta-feira. Nos bastidores, ministros afirmam que consideram que a saída encontrada pelo presidente da Corte não resolve todo o problema, mas já provoca ganhos institucionais.
O inquérito das fake news já está aberto há sete anos. Moraes havia sido designado relator do caso pelo então presidente do Tribunal, Dias Toffoli, por meio de uma portaria editada em 2019. O inquérito foi aberto de ofício por Toffoli para investigar ataques à Corte e seus ministros.
Para tirar Moraes do caso, Fachin revogou a portaria de Toffoli e decidiu que inquéritos e investigações em andamento retornam à relatoria da presidência. As ações penais, com denúncias já aceitas pelo Tribunal, permanecem sob a condução de Moraes.
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