Política

PT inicia ofensiva contra André Mendonça e pede apoio de militantes

Lula critica ministro do STF e mobiliza filiados para investigação do Banco Master

Estadao Conteudo 10/09/2026
PT inicia ofensiva contra André Mendonça e pede apoio de militantes
André Mendonça - Foto: © Foto / José Cruz/Agência Brasil

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou, nesta quarta-feira, 9, uma mobilização nas redes sociais contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Banco Master. Após Lula solicitar publicamente a quebra integral do sigilo da investigação, membros do PT criticaram o juiz e iniciaram uma campanha de mobilização da militância em oposição a Mendonça.

"Na minha opinião, ou o STF abre o sigilo e revela ao Brasil os segredos ocultos sobre Flávio Bolsonaro ou a integridade da eleição estará comprometida. É preciso revelar toda a verdade sobre o candidato suspeito", afirmou Éden Valadares, secretário nacional de Comunicação do PT.

Momentos antes, Lula pediu "explicações e medidas imediatas" para enfrentar a "crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário" em seu perfil nas redes sociais. "É necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral", ressaltou o presidente e candidato à reeleição. "Por isso, é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, independente de quem seja, doa a quem doer."

Nos bastidores, alguns dos principais conselheiros de Lula veem André Mendonça como o responsável pela queda do presidente nas pesquisas de intenção de voto. Eles apontam o entorno do ministro do STF como fonte dos vazamentos da investigação da Polícia Federal que envolve Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A situação se agravou após a queda do sigilo de uma investigação ligada ao ministro Alexandre de Moraes, do STF. O ponto culminante ocorreu com a divulgação de pesquisas que indicam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, mergulhando a campanha em uma crise.

Para alguns desses conselheiros, a situação envolvendo Moraes complicou ainda mais a situação de Lula. Esse grupo acredita que é inevitável que parte do eleitorado brasileiro não associe Moraes a Lula. Além disso, destacam a gratidão do Planalto ao que o ministro fez no julgamento da tentativa de golpe de Estado que resultou na prisão de Jair Bolsonaro (PL).

A campanha solicitou apoio da militância através de grupos de WhatsApp. "Faltam apenas 25 dias para as eleições! Não há como recuar: a missão de hoje é urgente! Precisamos discutir as atitudes do ministro André Mendonça no caso da blindagem de Flávio Bolsonaro e exigir que as instituições cumpram seu dever com independência", dizia uma das mensagens divulgadas no grupo de WhatsApp Lulaverso, criado pela campanha de Lula em 2022 e ainda ativo. Esta publicação foi feita antes da declaração pública de Lula. "Vamos nos mobilizar! Cada compartilhamento, postagem e conversa são essenciais. Não podemos deixar essa tarefa para depois!"

Éden Valadares ressaltou, em uma publicação nas redes sociais, que o momento exige uma reação imediata. "A situação política no Brasil é extremamente grave. O que antes eram apenas suspeitas agora se confirmam como evidências, e precisamos denunciar e agir imediatamente. A crise institucional no STF está sendo utilizada como instrumento eleitoral pelo ministro relator do caso do Banco Master ao barrar investigações sobre Flávio Bolsonaro, ao agir de forma parcial nas apurações do banqueiro Daniel Vorcaro, e ao negar ao Brasil a verdade sobre o escândalo Dark Horse", declarou. "A condução do processo claramente busca influenciar as eleições ao proteger o candidato bolsonarista à Presidência da República."

Na semana passada, o Estadão revelou que Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro trocaram 51 mensagens ao longo de 21 dias. A investigação mostrou que Vorcaro buscava auxílio e orientações ao ministro do Supremo sobre as investigações do Banco Master. Também foram identificadas conversas com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que foram mediadas por um advogado.

Uma pesquisa da Quaest, divulgada nesta segunda-feira, 7, apontou que Lula e Flávio Bolsonaro estão empatados em 41% no segundo turno, um cenário que não era observado desde março, quando ambos também apresentavam os mesmos índices.