Política
Lula se posiciona sobre crise no STF, defende reforma no Judiciário e apuração
Presidente pede investigações sem blindagem e critica vazamentos seletivos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quebrou o silêncio e se posicionou sobre a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), deflagrada após o ministro André Mendonça avançar em uma investigação sobre as relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Lula defendeu uma reforma do Judiciário e declarou que todos devem ser investigados, sem blindagem, e "doa a quem doer".
"Fica claro que o nosso sistema político e Judiciário precisa de reformas profundas. É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer. O povo brasileiro tem o direito de saber a verdade", declarou o presidente.
No vídeo, gravado no Palácio do Planalto, Lula classifica o escândalo do Master como "maior roubo da história do Brasil" e disse que Vorcaro possui relações com "gente muito poderosa". Na tentativa de se afastar da crise, o presidente afirmou ter sido durante seu governo que o banqueiro foi preso e teve o seu banco liquidado.
Lula também criticou o que chamou de vazamentos seletivos e disse que espera do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do presidente do STF, ministro Edson Fachin, que liderem a investigação de forma a preservar a integridade das instituições democráticas.
"Há suspeita de políticos e agentes públicos envolvidos. Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos. Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República liderem o processo garantindo a integridade e a confiança nas investigações", afirmou Lula.
O Estadão revelou que Moraes editou uma versão do contrato de R$ 131 milhões para o escritório advocatício da mulher dele, a advogada Viviane Barci de Moraes, prestar serviços para o Banco Master.
Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) mostraram que Vorcaro procurava Moraes para tentar reverter a sua situação jurídica antes de ser preso, em novembro do ano passado. O banqueiro perguntava se poderia conseguir ajuda do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet.
O banqueiro liberou ainda cartões de crédito com limites de R$ 300 mil para os dois filhos do ministro. A emissão foi solicitada pelo escritório da mulher do ministro do STF. Outros diálogos também mostram que Vorcaro fez um contrato para Viviane se tornar sócia de aeronaves dele.
Nesta terça-feira, 1º, Mendonça retirou o sigilo e tornou públicos os detalhes da investigação da PF sobre a relação entre Vorcaro e Moraes.
Como resposta, nesta quinta-feira, Moraes pediu a inclusão de Mendonça no inquérito das fake news, por suposto abuso de autoridade. O ministro também pediu providências por parte de Fachin.
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