Política

Augusto Cury cobra apuração sobre Moraes e propõe novos critérios na escolha de membros do STF

Candidato à Presidência defende maior rigor nas indicações do Supremo Tribunal Federal

Estadao Conteudo 03/09/2026
Augusto Cury cobra apuração sobre Moraes e propõe novos critérios na escolha de membros do STF
Augusto Cury - Foto: Reprodução / Instagram

O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) afirmou nesta quinta-feira, 3, que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), "tem que provar que não deve", ao comentar as mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Cury também detalhou os critérios que pretende adotar nas indicações para a Corte caso seja eleito e disse que deseja escolher duas mulheres para as próximas vagas.

As declarações foram dadas após uma reunião com o vice-presidente da Assembleia de Deus, José Wellington Costa Jr., na sede da igreja em São Paulo. "É muito triste. Olha, ninguém será poupado no meu governo, nenhum presidente, nenhum ministro. E, se o Alexandre de Moraes deve, ele tem que provar que não deve e, se deve, responder até as últimas consequências", afirmou o presidenciável.

Cury disse ainda que ministros do Supremo e outros integrantes do poder público devem prestar contas à sociedade. "O contribuinte é o patrão. Todos deveriam sentir-se empregados e todos devem satisfação até as últimas consequências para o contribuinte."

A declaração ocorre em meio à repercussão de um relatório produzido pela PF a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro. O documento reúne mensagens enviadas pelo banqueiro a Moraes durante o período em que o Master enfrentava uma crise e Vorcaro acompanhava o avanço das investigações que acabariam levando à sua prisão.

Ao falar sobre o Supremo, Cury também detalhou critérios que pretende utilizar para escolher ministros caso chegue ao Planalto. O candidato voltou a dizer que quer aumentar a presença feminina na Corte. Atualmente, Cármen Lúcia é a única mulher entre os dez ministros em exercício.

"O meu desejo é que os próximos dois ministros sejam mulheres. Pelo menos é o que eu desejo agora", disse. Segundo Cury, os escolhidos também deveriam ter currículo acadêmico e trajetória que, na avaliação dele, comprovassem reputação ilibada.

O candidato acrescentou dois filtros que hoje não são exigidos pela Constituição para a escolha de um ministro do Supremo: ter mais de 50 anos e não ter mantido filiação partidária nos cinco anos anteriores à indicação.

Cury também disse que pretende privilegiar integrantes de carreiras jurídicas na composição do tribunal. "Dois terços, o ideal seria ministros com carreira na magistratura. Dois ou três deveriam ser do Ministério Público e um advogado", afirmou.

Hoje, a Constituição estabelece que os ministros do STF devem ter mais de 35 e menos de 70 anos, notável saber jurídico e reputação ilibada. A escolha é feita pelo presidente da República e precisa ser aprovada pela maioria absoluta do Senado. Não há exigência de carreira prévia na magistratura nem quarentena para pessoas que tenham sido filiadas a partidos. Cury poderia adotar esses requisitos como critérios políticos para suas próprias indicações, mas seria necessária uma mudança constitucional para torná-los obrigatórios para futuros presidentes.

O presidenciável voltou ainda a defender a instituição de mandato de oito anos para ministros do Supremo, em substituição ao modelo atual, no qual os magistrados permanecem no cargo até a aposentadoria compulsória aos 75 anos. "Oito anos de mandato, fim da vitaliciedade. Já falei com alguns ministros, inclusive do STF", disse.

A discussão sobre os critérios para as indicações ganha peso nesta eleição porque o próximo presidente terá a possibilidade de provocar uma das maiores renovações recentes na composição do Supremo. Há hoje uma cadeira aberta desde a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, em outubro de 2025. Lula indicou o advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupá-la, mas o nome foi rejeitado pelo Senado em abril deste ano por 42 votos a 34.

Além dessa vaga, três ministros atingirão a idade da aposentadoria compulsória durante o próximo mandato presidencial. Luiz Fux completa 75 anos em abril de 2028; Cármen Lúcia, em abril de 2029; e Gilmar Mendes, em dezembro de 2030.