Política
Falpe ouviu 5 mil eleitores nos 102 municípios; Paraná, apenas 1.400 em 55 cidades
Pesquisas divulgadas em dias consecutivos apresentam resultados opostos para o Governo e o Senado em Alagoas; consulta realizada em toda Alagoas deu Renan Filho para governo e Renan Calheiros liderando para o senado
Duas pesquisas eleitorais divulgadas em um intervalo de apenas 24 horas apresentaram resultados opostos para o Governo de Alagoas. Mas uma diferença objetiva entre os levantamentos chama ainda mais a atenção: a quantidade de pessoas ouvidas e a abrangência territorial das entrevistas.
A Falpe ouviu 5 mil eleitores e esteve presente nos 102 municípios de Alagoas. O Instituto Paraná entrevistou 1.400 pessoas em apenas 55 cidades — pouco mais da metade dos municípios do estado.
Em números absolutos, a Falpe ouviu 3.600 eleitores a mais. Sua amostra foi mais de três vezes e meia superior à do Paraná. Além disso, enquanto a Falpe alcançou todo o território alagoano, o Paraná não realizou entrevistas em 47 municípios.
Diante dessa diferença, uma pergunta é inevitável: qual dos levantamentos oferece um retrato mais amplo e confiável da realidade eleitoral de Alagoas?
Quando uma pesquisa escuta mais pessoas e chega a todos os municípios, sua base de informações é naturalmente mais abrangente. Ela consegue captar melhor as diferentes realidades da capital, da Região Metropolitana, da Zona da Mata, do Litoral, do Agreste e do Sertão.
É difícil colocar no mesmo patamar um levantamento feito com 5 mil eleitores nos 102 municípios e outro que ouviu 1.400 pessoas em 55 cidades. Isso não significa afirmar que o Paraná Pesquisas tenha cometido fraude ou que seu levantamento seja automaticamente inválido. Significa reconhecer que a pesquisa Falpe possui uma cobertura territorial e uma amostra consideravelmente maiores.
Resultados completamente diferentes
A diferença de alcance ganha relevância porque as pesquisas apresentaram resultados opostos.
No levantamento Paraná, JHC aparece com 47,2%, contra 41,3% de Renan Filho. Na Falpe, Renan Filho lidera com 41,25%, enquanto JHC registra 37,5%.
O percentual de Renan Filho praticamente não muda de uma pesquisa para outra: são 41,3% no Paraná e 41,25% na Falpe. A grande alteração acontece exclusivamente com JHC, que aparece 9,7 pontos percentuais acima no levantamento realizado em apenas 55 municípios.
Também existe uma diferença expressiva entre os eleitores que não escolheram candidato. No Paraná, brancos, nulos, nenhum, não sabe e não opinou somam 10,2%. Na Falpe, “nenhum” e “não opinaram” chegam a 20,5%.
Não é possível afirmar que o resultado mais elevado de JHC tenha sido provocado pelo número reduzido de municípios pesquisados. Mas essa diferença de alcance não pode ser escondida do leitor, principalmente quando os dois levantamentos apontam líderes diferentes.
Para entender melhor o resultado do Paraná, seria necessário conhecer quais foram os 55 municípios visitados, quantas entrevistas foram realizadas em cada cidade e qual foi o peso da capital e da Região Metropolitana na composição final.
Diversidade de Alagoas exige alcance
Alagoas possui 102 municípios e realidades políticas muito diferentes. O comportamento do eleitor de Maceió não é necessariamente o mesmo do eleitor de Arapiraca, Palmeira dos Índios, Santana do Ipanema, Delmiro Gouveia, União dos Palmares, Penedo ou Porto Calvo.
Um candidato pode ter maior força na capital e na Região Metropolitana, enquanto outro pode apresentar melhor desempenho no Agreste, no Sertão ou nas cidades menores.
Por isso, ouvir eleitores em todos os municípios amplia a capacidade de captar essa diversidade. Quando 47 cidades ficam fora da coleta, a confiança no retrato estadual passa a depender ainda mais da escolha dos municípios visitados e da distribuição das entrevistas.
A Falpe não apenas ouviu mais pessoas. O instituto levou a pesquisa aos 102 municípios alagoanos, incluindo diferentes regiões, portes populacionais e realidades sociais.
O Paraná, por sua vez, afirma ter selecionado os 55 municípios de maneira proporcional ao tamanho do eleitorado. Esse procedimento pode ser aceito em pesquisas amostrais, mas não elimina uma constatação simples: territorialmente, o levantamento não percorreu todo o estado.
Divergências também no Senado
As diferenças se repetem na disputa pelas duas vagas ao Senado.
Na pesquisa Paraná, Arthur Lira aparece com 40,4%, seguido por Renan Calheiros, com 36,8%. Na Falpe, considerando a soma do primeiro e do segundo votos, Renan Calheiros lidera com 38,25%, enquanto Arthur Lira tem 31%.
Arthur Lira registra, portanto, 9,4 pontos percentuais a mais no Paraná. Renan Calheiros varia somente 1,45 ponto: passa de 36,8% no Paraná para 38,25% na Falpe.
Marina JHC aparece com 28,4% no Paraná e 22,5% na Falpe. Davi Davino Filho tem 24,4% no primeiro levantamento e 19,25% no segundo.
Mais uma vez, os candidatos ligados ao mesmo campo político aparecem com percentuais consideravelmente superiores na pesquisa realizada em 55 municípios. Isso não constitui prova de favorecimento, mas torna indispensável conhecer a distribuição territorial das 1.400 entrevistas.
Registros
A pesquisa Paraná está registrada no TSE sob o número AL-03316/2026, para os cargos de governador e senador. Foram entrevistados 1.400 eleitores entre os dias 26 e 29 de agosto. O nível de confiança informado é de 95% e a margem de erro é de 2,7 pontos percentuais.
A pesquisa Falpe para governador e senador está registrada sob o número AL-07864/2026. A Falpe realizou 5 mil entrevistas entre os dias 16 e 25 de agosto, nos 102 municípios. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro informada é de aproximadamente 1,39 ponto percentual.
Nesse confronto, a pesquisa que ouviu mais pessoas e alcançou todas as cidades alagoanas oferece uma base mais completa para retratar a atual disputa eleitoral.
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