Política
Candidata a vice de JHC perde a mão em discurso, atira na Assembleia e no Judiciário, causa desconforto e acerta aliados no próprio palanque
Célia Rocha fala em “promiscuidade”; olhares de Arthur Lira e Ângela Garrote chamam atenção durante discurso
A ex-prefeita de Arapiraca e candidata a vice-governadora Célia Rocha protagonizou um dos discursos mais duros da campanha ao atacar frontalmente a Assembleia Legislativa de Alagoas e afirmar que o Legislativo estaria “dominando” diferentes instituições do Estado, inclusive a Justiça.
Durante ato político, Célia disse que existe uma relação de “promiscuidade” entre a Assembleia e o Poder Executivo.
“Não se admite mais, não se pode aceitar mais essa promiscuidade que existe entre a Assembleia Legislativa e Poder Executivo. Isso é uma vergonha para o nosso Estado. Isso é uma vergonha sem tamanho para o nosso Estado”, afirmou.
Mas a candidata foi além.
“A gente não pode aceitar que essa Assembleia continue dominando esse Estado, dominando polícia, dominando o Poder Executivo, dominando Justiça, dominando tudo”, declarou.
A fala chamou atenção não apenas pelo peso das acusações, mas também pelas reações registradas no palanque.
Enquanto Célia elevava o tom contra a Assembleia, Arthur Lira e Ângela Garrote acompanhavam o discurso com expressões que pareciam revelar surpresa e desconforto.
Os olhares dos dois em direção à candidata destoavam do ambiente normal de aprovação esperado em um ato político.
A situação ganha ainda mais força porque Ângela Garrote possui relação direta com a Assembleia criticada por Célia.
Primeira suplente, Ângela assumiu diversas vezes mandato de deputada estadual durante a atual legislatura e passou períodos significativos atuando dentro da própria Casa que Célia acabava de acusar de “promiscuidade”.
Célia, portanto, atirou contra uma instituição da qual uma de suas próprias aliadas de palanque fez parte durante boa parte da legislatura.
É o caso de atirar no que enxerga e acertar também quem está ao lado.
Arthur Lira, deputado federal e candidato ao Senado pela mesma composição política, também aparece no vídeo acompanhando atentamente a declaração.
Ainda mais grave é o trecho em que Célia afirma que a Assembleia estaria “dominando Justiça”.
A candidata não apresentou, naquele momento, fatos concretos que demonstrassem de que forma o Legislativo dominaria o Poder Judiciário, quem exerceria essa suposta influência ou quais integrantes da Justiça estariam submetidos a ela.
A declaração, portanto, lança uma suspeita ampla sobre a própria independência do Judiciário alagoano.
Se existem fatos que sustentem uma acusação dessa dimensão, eles precisam ser apresentados.
Caso contrário, permanece uma grave generalização feita em pleno palanque eleitoral.
Célia Rocha pretendia atacar seus adversários e defender a ideia de mudança política em Alagoas.
Mas o vídeo terminou revelando outra cena: uma candidata disparando contra instituições do Estado enquanto integrantes de seu próprio grupo político acompanhavam o discurso com olhares de evidente atenção e aparente desconforto.
Ao tentar atingir a Assembleia, Célia acabou atingindo também aliados próximos e ainda colocou sob suspeita a relação do Legislativo com o Executivo, a polícia e até com a Justiça.
O vídeo da declaração e das reações de Arthur Lira e Ângela Garrote pode ser conferido abaixo.
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