Política
Marcelo Bastos prevê derrota de Júlio Cezar: “Vai ter votação em Palmeira, mas não chega para se eleger”
Analista político que acertou 100 dos 102 prefeitos eleitos em Alagoas em 2024 vê força localizada do ex-prefeito em Palmeira dos Índios, mas não acredita que o “Imperador” consiga votos suficientes para chegar à Câmara Federal
O analista político Marcelo Bastos não acredita na eleição do ex-prefeito de Palmeira dos Índios Júlio Cezar para a Câmara dos Deputados em outubro. Durante entrevista ao TribunaPod, podcast do jornal de Maceió, Tribuna Independente. Bastos avaliou a chapa do PSD e foi direto ao analisar as possibilidades do político palmeirense, conhecido como “Ex-Imperador”.
“O ex-prefeito de Palmeira, eu não acredito que ele chegue, mas vai ter uma votação localizada lá em Palmeira, mas acredito que não chega para se eleger”, afirmou Marcelo Bastos.
A declaração foi feita no momento em que o analista examinava individualmente os nomes que disputam espaço na chapa do PSD para deputado federal.
Na avaliação de Bastos, Luciano Amaral aparece como o nome mais consolidado da legenda. A disputa por outra eventual vaga envolve candidatos como Rute Nezinho, Davi Maia, Rui Palmeira. A reportagem da Tribuna Independente também registrou essa configuração ao repercutir as projeções feitas pelo analista no podcast.
Força concentrada em Palmeira
A observação de Marcelo Bastos toca justamente no principal desafio da candidatura de Júlio Cezar: transformar sua força política em Palmeira dos Índios em uma votação de dimensão estadual.
Bastos reconhece que o ex-prefeito deverá receber uma votação localizada em Palmeira, município onde exerceu dois mandatos consecutivos e no qual construiu sua principal base eleitoral. A análise, porém, indica que esse desempenho no reduto de origem não deverá ser suficiente para colocá-lo entre os nove eleitos por Alagoas para a Câmara Federal.
Em outras palavras, o prognóstico sugere uma dificuldade de capilaridade eleitoral fora de Palmeira dos Índios. Para uma candidatura a deputado federal, a concentração de votos em apenas um município pode não bastar diante de adversários que dispõem de bases espalhadas por diversas regiões de Alagoas.
O próprio Bastos explicou, durante a entrevista, a dimensão da disputa. Segundo ele, uma chapa precisa alcançar, em média, cerca de 180 mil votos para produzir uma cadeira diretamente, embora o número possa variar conforme o desempenho dos partidos e a distribuição das sobras.
Foi nesse contexto de cálculos de chapa, votação individual e bases eleitorais que o analista descartou, neste momento, a eleição do ex-prefeito palmeirense.
Prognóstico ganha peso pelo retrospecto
A avaliação ganha repercussão pelo histórico recente de Marcelo Bastos em prognósticos eleitorais.
Professor, escritor e criador do Instituto MB Pesquisas, Bastos tornou-se conhecido em Alagoas por acompanhar disputas eleitorais e fazer projeções a partir de pesquisas, desempenho histórico dos candidatos, estruturas partidárias e movimentação das campanhas. A própria Tribuna o apresenta como uma das referências estaduais nesse tipo de análise.
Na eleição municipal de 2024, uma semana antes da votação, Bastos publicou sua previsão para os vencedores das 102 prefeituras alagoanas. Acertou 100, errando somente Quebrangulo — onde a diferença final foi de apenas cinco votos — e Taquarana. O índice de acerto ficou em aproximadamente 98%.
Agora, para 2026, ele volta a projetar os resultados das disputas proporcionais.
Ao tratar especificamente de Júlio Cezar, não utilizou meias palavras sobre sua expectativa: reconheceu a existência de votos em Palmeira dos Índios, mas concluiu que eles não deverão ser suficientes para levar o antigo “Imperador” até Brasília.
A análise não é uma pesquisa de intenção de voto nem representa resultado antecipado da eleição. Trata-se de um prognóstico político de Marcelo Bastos, que também ressaltou durante o TribunaPod que o cenário eleitoral ainda pode sofrer alterações ao longo da campanha. Mesmo assim, ele afirmou não esperar grandes surpresas na composição final das bancadas.
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