Política

Renan Filho desafia JHC a processá-lo e cobra explicações sobre R$ 117 milhões do Iprev: “Cadê o dinheiro do aposentado?”

Durante ato no Jacintinho, candidato do MDB acusou o adversário de recorrer à Justiça contra jornalistas, entidades e cidadãos que questionam as aplicações previdenciárias no Banco Master

Redação 22/08/2026
Renan Filho desafia JHC a processá-lo e cobra explicações sobre R$ 117 milhões do Iprev: “Cadê o dinheiro do aposentado?”
Renan Filho faz forte discurso para uma pergunta que não quer calar: onde está o dinheiro dos aposentados do IPREV? - Foto: Reprodução

O senador e candidato ao Governo de Alagoas, Renan Filho (MDB), elevou o tom contra o ex-prefeito de Maceió e também candidato ao Palácio República dos Palmares, JHC (PSDB), ao levar o caso envolvendo os investimentos do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) ao centro da disputa eleitoral.

Durante ato político realizado no bairro do Jacintinho, em Maceió, na noite desta sexta-feira (21), Renan desafiou diretamente o adversário a processá-lo e afirmou que pretende cobrar, ao longo da campanha, explicações sobre o destino dos recursos previdenciários aplicados em títulos do Banco Master.

“Eu quero ver você me processar, porque eu vou debater: cadê o dinheiro do aposentado?”, declarou Renan, sob aplausos dos participantes do evento.

O candidato do MDB acusou JHC de utilizar ações judiciais como forma de reagir às cobranças feitas por jornalistas, sindicatos, comunicadores e cidadãos sobre o caso. Segundo Renan, mais de 60 pessoas teriam sido processadas após publicarem questionamentos envolvendo o Iprev e o Banco Master.

“Processar jornalista é moleza. Processar o sindicato dos professores que cobrou é moleza. Processar aquele que reivindica transparência é fácil. Eu quero ver processar a mim”, afirmou.

O número superior a 60 foi apresentado por Renan durante o discurso, sem a exibição de uma relação completa dos processos. Levantamento publicado pelo Jornal Extra em junho, feito inicialmente pela Tribuna do Sertão, havia identificado pelo menos 35 ações movidas por JHC contra jornalistas, veículos de comunicação, comunicadores, influenciadores e administradores de páginas. Grande parte das demandas estava relacionada a publicações sobre o Iprev, o Banco Master ou fatos ocorridos durante a gestão de JHC na Prefeitura de Maceió. No TER são mais de 160 ações contra criadores de conteúdo e veículos de imprensa.

Ronnie Mota é citado no discurso

Renan Filho também direcionou críticas a Ronnie Reyner Teixeira Mota, ex-presidente do Iprev e um dos investigados pela Polícia Federal. O emedebista associou o ex-dirigente ao grupo político de JHC e afirmou que os aposentados e pensionistas municipais têm o direito de saber quem decidiu pela realização das aplicações.

“Quem trabalhou a vida toda não quer colocar seu dinheiro numa conta e deixar lá para ele e aquele senhor chamado Ronnie Mota”, declarou Renan, antes de acusar os envolvidos de tentarem “posar de moderninhos”.

“Moderninho, não, irmão. Não tem nada mais velho do que lesar os cofres públicos”, completou.

As afirmações de que houve desvio e de que JHC teria participação pessoal no episódio representam acusações políticas feitas por Renan Filho. No trecho divulgado do discurso, o candidato não apresentou documentos que comprovassem uma ordem direta de JHC para a realização das aplicações.

PF investiga aplicações feitas entre 2023 e 2024

A Polícia Federal, com apoio da Controladoria-Geral da União, cumpriu oito mandados de busca e apreensão em Alagoas e São Paulo no dia 10 de agosto. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e investiga suspeitas de gestão fraudulenta nas aplicações realizadas pelo Iprev em letras financeiras do Banco Master.

Segundo a Polícia Federal, o objeto específico da investigação corresponde a duas aplicações feitas em 2023 e 2024, no valor total de R$ 97 milhões. Ronnie Mota, que presidia o instituto no período, está entre os alvos. JHC administrava Maceió quando as operações foram realizadas, mas não apareceu na relação divulgada de alvos dos mandados cumpridos em 10 de agosto.

A investigação apura as condições de credenciamento do Banco Master, as análises de risco, a governança interna e o processo de decisão que antecedeu os investimentos. Entre as suspeitas mencionadas na decisão que autorizou a operação estão possível direcionamento das aplicações, exposição desproporcional do patrimônio previdenciário a ativos de risco elevado e ausência de estudos comparativos suficientes.

Valores de R$ 97 milhões e R$ 117 milhões

Renan Filho e outras lideranças políticas utilizam a cifra de aproximadamente R$ 117 milhões ao se referirem ao volume de recursos do Iprev relacionado ao Banco Master. Esse mesmo montante também apareceu em reportagens e ações judiciais sobre o caso.

A Polícia Federal, entretanto, informou que a operação deflagrada em agosto tem como objeto duas aplicações que totalizaram R$ 97 milhões. Por isso, os valores de R$ 97 milhões e R$ 117 milhões aparecem em diferentes abordagens públicas sobre o episódio, conforme o recorte financeiro utilizado.