Política

PF aponta mais diretores do BRB envolvidos em caso Master e pede prazo para concluir inquérito

Investigação avança com novos indícios sobre diretores do Banco Regional de Brasília

Estadao Conteudo 21/08/2026
PF aponta mais diretores do BRB envolvidos em caso Master e pede prazo para concluir inquérito
BRB - Foto: Paulo H. Carvalho/Agencia Brasilia

A Polícia Federal afirma ter identificado mais diretores do Banco Regional de Brasília (BRB) envolvidos em irregularidades na compra de carteiras fraudulentas do Banco Master. Por isso, a PF pediu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça a prorrogação de prazo de 60 dias para concluir o inquérito que deve resultar no primeiro indiciamento do banqueiro Daniel Vorcaro por crimes financeiros.

A PF informou a Mendonça que vai precisar colher os depoimentos dos integrantes da diretoria colegiada do BRB que aprovaram as operações financeiras com o Master, por isso seria necessário mais tempo para finalizar o inquérito.

No pedido de prorrogação enviado ao STF, a PF não citou nominalmente quem são os diretores suspeitos. Até agora, somente o ex-presidente do banco Paulo Henrique Costa foi preso na Operação Compliance Zero.

As novas informações foram colhidas a partir de um laudo pericial produzido pela PF para embasar as investigações. Isso, argumenta a corporação, trouxe novas informações que demandam um tempo maior de análise. Esse laudo "identificou elementos relacionados ao processo decisório interno da instituição financeira, apontando possíveis descumprimentos de normativos internos, fragilidades de governança, concentração excessiva de risco, aprovação de operações em desacordo com os procedimentos regulares de controle e a participação individualizada de integrantes da Diretoria Colegiada do BRB (DICOL) em deliberações relacionadas aos fatos sob investigação".

O relatório parcial foi enviado nesta quinta-feira, 20, ao inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal. Os laudos periciais produzidos também foram enviados ao gabinete de Mendonça.

"As conclusões constantes desse trabalho pericial revelaram fatos novos e permitiram a individualização da atuação de agentes que até então não figuravam formalmente entre os investigados, tornando necessária a inclusão de integrantes da DICOL no polo passivo da investigação e a realização de suas respectivas oitivas, providências essenciais para o completo esclarecimento dos fatos", diz a PF.

Um segundo laudo produzido pelos peritos também identificou falhas na governança do Banco Master durante o processo de cessão de carteiras falsas da Tirreno para o BRB, diz a PF.

"O referido laudo concluiu, em síntese, pela existência de elementos indicativos de incompatibilidade entre a estrutura operacional e econômico-financeira da empresa Tirreno e o volume bilionário das operações realizadas, pela ausência de evidências de liquidação financeira efetiva das cessões analisadas, por inconsistências documentais relevantes e pela existência, no âmbito do Banco Master, de mecanismos internos de controle, monitoramento e governança que possuíam condições de identificar as irregularidades apontadas", afirma o relatório.

A PF afirma que, por último, ainda aguarda documentos do Banco Central sobre o efetivo prejuízo das operações ao BRB.

"Diante do exposto, considerando a recente disponibilização dos laudos periciais acima mencionados, a pendência de informações essenciais requisitadas ao Banco Central do Brasil, a necessidade de realização de novas oitivas e a existência de diligências investigativas ainda em curso, requer-se a prorrogação do prazo para conclusão das investigações por mais 60 (sessenta) dias", aponta o relatório.