Política

Comissão aprova projeto que cria programa nacional para coleta e reciclagem de lixo eletrônico

A proposta será analisada por outras duas comissões da Câmara

Câmara dos Deputados 19/08/2026
Comissão aprova projeto que cria programa nacional para coleta e reciclagem de lixo eletrônico
Projeto nacional para coleta e reciclagem de lixo eletrônico é aprovado na Câmara - Foto: Renato Araújo / Câmara dos Deputados

A Comissão de Indústria, Comércio e Serviços da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que institui o Programa Nacional de Coleta, Reciclagem e Descarte de Equipamentos Eletrônicos.

Entre outros itens, o programa deverá abranger celulares, computadores, TVs e outros aparelhos de pequeno e médio porte. O objetivo é promover a gestão sustentável desses resíduos e estimular a economia circular.

A proposta aprovada é a versão do relator, deputado Josenildo (PDT-AP), para o Projeto de Lei 4094/24 , do deputado Marcos Tavares (PDT-RJ). O relator ajustou o texto para proteger micro e pequenas empresas e garantir a segurança jurídica.

“Certos dispositivos da regulamentação atual , notadamente aqueles de caráter estruturante e permanente, devem ser ajustados ao nível legal, conferindo maior estabilidade à política pública de gestão de resíduos eletrônicos”, disse Josenildo.

Plataformas digitais
Pelo substitutivo , provedores de plataformas digitais e marketplaces que atuam como intermediários de comércio eletrônico terão o dever de divulgar e facilitar o acesso dos consumidores aos sistemas de logística reversa .

A proposta proíbe, no entanto, que essas plataformas digitais sejam obrigadas a receber ou armazenar fisicamente os resíduos eletrônicos em seus centros de distribuição logísticos.

A restrição ocorre porque esses intermediários não detêm a posse física dos produtos, e vedar a imposição da guarda do lixo eletrônico, segundo Josenildo, “evita litígios judiciais infrutíferos e o colapso operacional do e-commerce”.

Coleta e incentivos
O texto aprovado também determina a instalação de pontos de coleta acessíveis à população e o estabelecimento de metas nacionais progressivas de ampliação da logística reversa, com exigência de fornecimento periódico de contas.

A proposta permite ainda que os investimentos comprovadamente realizados em ações de logística reversa e destinação adequada de resíduos sejam consideradas despesas operacionais dedutíveis, na forma da legislação tributária.

As novas regras interagem com a Política Nacional de Resíduos Sólidos , não afastando a aplicação da norma, mas evitando a duplicidade de critérios já cumpridos por sistemas de logística reversa ou acordos setoriais.

Próximos passos
O projeto ainda será analisado, em caráter conclusivo , pelas comissões de Desenvolvimento Urbano; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para mudar a lei, terá de ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

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