Política

Haddad: escola em tempo integral parou de avançar em SP; não falta dinheiro, falta iniciativa

Candidato do PT critica gestão atual e defende ampliação da educação pública.

Estadao Conteudo 19/08/2026
Haddad: escola em tempo integral parou de avançar em SP; não falta dinheiro, falta iniciativa
Haddad - Foto: © Foto / José Cruz/Agência Brasil

O ex-ministro da Fazenda e candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, defendeu a ampliação da rede de ensino em tempo integral no Estado, que, segundo ele, parou de avançar sob a gestão do atual chefe do executivo paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Haddad afirmou que "não falta dinheiro", mas sim iniciativa para melhorar a educação pública em São Paulo. Ele destacou que o Estado, sendo o mais rico da Federação, ainda apresenta desempenho inferior a outros estados como Ceará, Piauí e Pernambuco.

As declarações foram feitas durante sabatina realizada pela rádio CBN e pelos jornais O Globo e Valor Econômico.

O petista também defendeu a realização de novos concursos públicos na rede estadual, ressaltando que, atualmente, quase metade dos professores trabalha com contratos temporários.

"Vai ter que fazer um processo, que eu não sei quantos anos vai durar, de recontratação de pessoas concursadas. E eu não gosto de concurso feito de qualquer jeito. A gente tem que rever as formas de fazer concurso para selecionar as melhores pessoas", detalhou o candidato.

Ainda no campo da educação, Haddad disse não concordar com o modelo de escolas cívico-militares e que não pretende expandi-lo no Estado.

Ele enfatizou que as mudanças não podem ser impostas e devem ser feitas após consulta direta às escolas envolvidas. "Não adianta os prefeitos estarem fazendo a lição de casa no Ensino Fundamental 1 e 2 e você não ter um Ensino Médio estruturado", acrescentou.

Rodovias e benefícios fiscais

Durante a sabatina, Haddad também pontuou que não é contra que sejam feitas mais concessões em rodovias. Ele afirmou que concorda, por exemplo, em implementar pedágios em uma estrada que será duplicada, mas que, após o fim do contrato e das obras, não é correto manter as vias pedagiadas. "Essas questões me incomodam. Não é uma questão de qual é o setor que você está privatizando, mas qual o objetivo de retorno à sociedade", disse.

O petista também declarou não ser contra a adoção da ferramenta free flow nas cobranças de pedágio, mas criticou a "má gestão comprovada" na implementação da ferramenta pela gestão de Tarcísio. "Ele colocou free flow, não avisou que pôs. A pessoa foi pedagiada num site que não sabia que estava devendo", criticou.

No âmbito fiscal, o ex-ministro da Fazenda voltou a criticar a falta de transparência da atual gestão na concessão de subsídios e isenções. "Ninguém sabe os CNPJ que são beneficiados. Não tem avaliação crítica e transparência", declarou Haddad, citando que pretende divulgar essas informações, seguindo o exemplo de sua gestão à frente da Fazenda.