Política
Rui Palmeira questiona quem deu ordem para Iprev investir milhões no Banco Master
Vereador afirma que nota da consultoria Crédito & Mercado aumenta dúvidas sobre responsabilidade pelas aplicações e pergunta: “Se a consultoria não indicou, quem indicou?”
O vereador de Maceió e candidato a deputado federal Rui Palmeira voltou a cobrar explicações sobre os investimentos realizados pelo Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em ativos ligados ao Banco Master. Em vídeo publicado nas redes sociais, Rui afirmou que uma nota divulgada pela consultoria Crédito & Mercado abre uma nova frente de questionamentos sobre quem efetivamente decidiu pelas aplicações.
Segundo Rui Palmeira, a consultoria, contratada pelo Iprev, teria esclarecido que não foi consultada sobre os investimentos no Banco Master, não analisou nem recomendou as operações e também não emitiu parecer técnico específico sobre elas.
Para o vereador, a manifestação da empresa torna ainda mais necessária a identificação de quem partiu a decisão de aplicar recursos previdenciários nas operações.
“Mas peraí: se a consultoria contratada diz que não recomendou, quem mandou o Iprev investir R$ 117 milhões em letras podres do Banco Master?”, questionou Rui no vídeo.
O valor de R$ 117 milhões é o montante citado pelo vereador em sua manifestação. As investigações e documentos relacionados ao caso vêm apresentando diferentes valores conforme as operações e períodos considerados.
Rui também chamou atenção para o processo interno que teria antecedido as aplicações. Segundo ele, uma decisão envolvendo dezenas de milhões de reais e elevado grau de risco teria sido tomada em uma reunião de aproximadamente uma hora.
Para o vereador, a informação atribuída à Crédito & Mercado de que a decisão sobre a movimentação dos recursos cabia à gestão do instituto desloca o foco das perguntas para dentro da administração do Iprev.
“A própria Crédito e Mercado está dizendo que quem movimenta os recursos e decide tudo é a gestão”, afirmou.
“Quem deu a ordem?”
No vídeo, Rui Palmeira diz considerar difícil acreditar que uma operação dessa dimensão tenha sido decidida exclusivamente pelo então presidente do instituto.
“É difícil acreditar que uma decisão que colocou em risco R$ 117 milhões dos aposentados foi tomada por um homem só, o ex-presidente do Iprev. Com certeza, tem gente maior por trás dessa decisão”, declarou.
A afirmação é uma avaliação política feita pelo vereador e, até o momento, não representa conclusão definitiva das investigações sobre eventual participação de outras pessoas na tomada de decisão.
Rui então apresenta uma sequência de perguntas que, segundo ele, precisam ser respondidas pelas autoridades e pela própria gestão municipal:
“Se a consultoria não indicou, quem indicou? Quem tinha interesse nesse investimento, que não passou sequer por uma análise da consultoria já contratada? Quem deu a ordem para fazer esse investimento?”
As perguntas ganham peso diante da investigação sobre as aplicações do patrimônio previdenciário dos servidores municipais em ativos vinculados ao Banco Master.
Consultoria afasta participação na decisão
A posição atribuída à Crédito & Mercado é relevante porque a empresa prestava serviços de consultoria ao instituto. Ao declarar que não recomendou as operações específicas envolvendo o Banco Master, a consultoria afasta de si a responsabilidade pela indicação dos investimentos e sustenta que a competência para decidir e movimentar os recursos permanecia com a administração do Iprev.
É justamente esse ponto que Rui Palmeira explora no vídeo.
Se uma consultoria especializada estava contratada para prestar suporte técnico, mas não analisou nem recomendou uma operação de tamanho impacto financeiro, a pergunta levantada pelo vereador é sobre qual estudo, parecer ou orientação embasou a decisão final.
Caso permanece sob investigação
O caso Iprev-Master tornou-se um dos principais focos de questionamento político e institucional em Maceió após as investigações alcançarem operações realizadas com recursos previdenciários dos servidores municipais.
Entre os pontos ainda discutidos estão a identificação dos responsáveis pelas decisões, os pareceres utilizados, a análise de risco realizada antes das aplicações, a participação dos órgãos colegiados do instituto e a eventual existência de orientações externas para a realização dos investimentos.
Rui Palmeira encerrou o vídeo usando uma expressão de forte teor político para definir as consequências do episódio.
“E agora, o que sobrou foi um rombo master no dinheiro dos aposentados”, afirmou.
A declaração aumenta a pressão para que sejam esclarecidas não apenas as circunstâncias financeiras das aplicações, mas principalmente quem propôs, quem autorizou e quais fundamentos técnicos sustentaram a decisão de colocar recursos previdenciários do município em ativos ligados ao Banco Master.
Mais lidas
-
1MILITAR
Submarino Humaitá começa primeiro deslocamento internacional apesar das tensões diplomáticas entre Argentina e Brasil
-
2ARQUEOLOGIA
Estátua de 2,4 mil anos é encontrada sob pavimento romano na Turquia
-
3POLÍTICA
Cooperação técnico-militar histórica: Rússia reforça laços com a Marinha do Brasil no Rio
-
4RESPONSABILIDADE FISCAL
18 prefeituras estouram teto da folha; Rio Largo e Palmeira são as maiores cidades da lista
-
5ECONOMIA
6 estratégias para humanizar a gestão e acelerar os resultados de vendas