Política

Heloísa Helena diz que política tenta destruir quem “não tem preço” e alerta contra abandono das urnas; veja vídeo

Em entrevista em vídeo, ex-senadora afirma que firmeza de caráter passou a ser tratada como defeito na vida pública e diz que descrença do eleitor beneficia quem se aproveita do afastamento das pessoas da política

Redação 12/08/2026
Heloísa Helena diz que política tenta destruir quem “não tem preço” e alerta contra abandono das urnas; veja vídeo
Heloísa Helena

A ex-senadora Heloísa Helena fez uma dura reflexão sobre ética, caráter e descrença na política durante uma entrevista em vídeo. Em sua fala, ela afirmou que pessoas que se recusam a estabelecer um “preço” para suas posições acabam pagando um custo elevado na vida pública, mas defendeu que esse é um preço que alguns escolhem assumir.

Para Heloísa, características como firmeza de caráter, honestidade e disposição para defender convicções passaram, em determinados ambientes políticos, a ser encaradas como obstáculos.

“Firmeza de caráter é vista como algo detestável. Não ser cínico, ser honrado, ter coragem de defender o que acredita, isso é visto como algo detestável, que tem que ser destruído, massacrado, aniquilado politicamente.”

Segundo ela, permanecer fiel às próprias convicções pode significar enfrentar isolamento, ataques e derrotas dentro do jogo político.

“Mas é um preço que você escolhe”, afirmou.

“Quem não tem preço”


Em um dos momentos mais fortes da entrevista, Heloísa Helena recorreu a uma metáfora para falar sobre independência política.

“Quem não tem etiqueta na testa dizendo qual é o seu preço certamente amarga infinitamente mais”, declarou.

A ex-senadora disse conhecer pessoalmente as consequências dessa postura e afirmou que sua trajetória política foi marcada pela recusa em aceitar determinadas imposições.

“Sou a prova viva de quem já comeu esse amargo porque não aceitou que se botasse uma etiqueta na testa dizendo qual era o preço. Porque quem não tem preço não aceita que ninguém, seja quem for, ponha uma etiqueta na sua testa”, disse.

Para Heloísa, essa escolha impõe dificuldades particularmente intensas no ambiente político.

“E isso é dureza. E, no mundo da política, isso acontece sempre”, completou.

Descrença nas instituições


A entrevista também abordou o crescente afastamento de parte da população das instituições políticas e dos processos eleitorais.

Segundo Heloísa Helena, a perda de esperança não ocorre necessariamente porque as pessoas deixaram de se importar com a política. Na avaliação dela, muitas vezes acontece justamente o contrário: a indignação seria resultado da frustração com práticas consideradas incompatíveis com aquilo que o eleitor espera de seus representantes.

“As pessoas vão ficando sem esperança, sem acreditar, sem respeitar as instâncias de decisão política”, afirmou.

Ela rejeitou a ideia de que o cidadão revoltado com a política seja indiferente.

“Quem está rebelde contra esse modelo de política não é uma pessoa fria. Quem está indignado contra essa modalidade de safadeza política não é uma pessoa fria, é uma pessoa que não suporta isso”, declarou.

Heloísa alerta para risco da abstenção


Na parte final da declaração, Heloísa Helena direcionou sua crítica para aqueles que, decepcionados com a política, optam por simplesmente abandonar o processo eleitoral.

Na avaliação da ex-senadora, deixar de votar ou desistir de participar das decisões políticas pode beneficiar justamente os grupos que o eleitor indignado pretende combater.

“O problema mesmo é que, quando você deixa para lá, tem o que adora que o indignado deixe para lá. Tem o que ama, fica felicíssimo quando o indignado não vai para a urna”, afirmou.

Segundo ela, a participação eleitoral representa a possibilidade de o cidadão escolher pessoas que considere comprometidas com princípios éticos e afastar aqueles que, na sua avaliação, estejam associados a práticas ilícitas.

Heloísa resumiu sua preocupação dizendo que determinados setores temeriam justamente a presença do eleitor indignado nas urnas, porque ele poderia “escolher alguém sério e não alguém vinculado à bandidagem”.

A expressão foi utilizada pela própria ex-senadora durante a entrevista.

Política, caráter e participação


A declaração reúne temas recorrentes na trajetória pública de Heloísa Helena: ética na política, independência diante de grupos de poder e defesa da participação popular.

Desta vez, entretanto, a mensagem também funciona como um alerta aos eleitores que, diante de escândalos e da perda de confiança na classe política, consideram se afastar completamente do processo eleitoral.

Na visão defendida por Heloísa, a indignação não deveria resultar em desistência.

Para ela, abandonar a política significa deixar que outras pessoas façam as escolhas.

E sua mensagem central pode ser resumida na própria metáfora utilizada durante a entrevista: na política, não ter uma “etiqueta com preço” pode custar caro — mas desistir de participar também tem consequências.

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