Política
Vice de JHC vira nó triplo: Lessa se disse candidato, Célia rejeita suplência e quer o posto, mas PL exige indicação
Ex-prefeita de Arapiraca diz que não aceita ser segunda suplente de Arthur Lira e que só disputa eleição se for vice; cargo já é reivindicado por Ronaldo Lessa e ata das 23h58 reserva ao PL o poder de indicar o nome
Se a definição do candidato a vice-governador de JHC já estava confusa na quinta-feira (6), nesta sexta-feira (7) o problema ganhou mais um personagem e se transformou num verdadeiro nó político dentro da aliança.
Agora são três movimentos convergindo sobre uma única vaga.
Ronaldo Lessa afirma que é candidato a vice e foi formalmente indicado pelo PDT.
Célia Rocha rejeitou a segunda suplência de Arthur Lira e avisou que, se participar da chapa, quer ser candidata a vice-governadora.
E o Partido Liberal registrou às 23h58 uma ata estabelecendo que é o PL quem terá o poder de indicar o companheiro de chapa de JHC.
A disputa está formada.
CÉLIA DIZ NÃO À SUPLÊNCIA
A novidade de ontem, sexta-feira, veio de Arapiraca.
A ex-prefeita Célia Rocha, atualmente filiada ao PSDB, agradeceu a Arthur Lira pela indicação de seu nome para ocupar a segunda suplência na disputa pelo Senado, mas deixou claro que não pretende aceitar o posto.
Em entrevista publicada por um site local, Célia estabeleceu suas opções: ou integra a majoritária como candidata a vice-governadora ou participa da campanha apenas como apoiadora.
“Ou serei vice ou fico como entusiasta e grande apoiadora”, afirmou.
A declaração desmonta, pelo menos politicamente, outra parte da ata apresentada pelo PL.
O documento das 23h58 estabelece que Arthur Lira será candidato a uma das vagas ao Senado, tendo Luiz Romero Cavalcante Farias como primeiro suplente. Para a segunda suplência, a ata reserva a indicação à Federação PSDB Cidadania e condiciona a escolha justamente a Célia Rocha.
Célia, entretanto, não quer a vaga. A ex-prefeita agradeceu a lembrança, mas deixou público que seu objetivo, caso ocupe algum posto na chapa majoritária, é outro: a vice de JHC. Ela registrou ainda que sem a vice, Célia pretende permanecer apenas como apoiadora do projeto político.
CÉLIA É DO PSDB
O movimento produz uma situação particularmente curiosa.
Célia Rocha é filiada ao PSDB, portanto integra o campo partidário da Federação PSDB Cidadania, justamente a federação à qual pertence JHC.
Mas a ata do PL determina que a indicação para vice-governador será feita pelo Partido Liberal.
É importante observar uma nuance: o documento não diz que o escolhido necessariamente terá de ser filiado ao PL. O que ele estabelece expressamente é que o cargo será “indicado pelo Partido Liberal”.
Assim, a declaração de Célia não pode ser lida, neste momento, como incompatível de forma automática com a ata. Mas ela coloca mais pressão na negociação.
Para que sua pretensão avance dentro do desenho estabelecido pelo documento do PL, a reivindicação terá de passar justamente pela mesa em que o Partido Liberal exige ter a palavra sobre a escolha do vice.
E Célia não surgiu agora como possibilidade para o cargo.
Desde maio e junho, seu nome circula nos bastidores como alternativa para compor a chapa com JHC, especialmente dentro das articulações envolvendo Arthur Lira, o prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa, e lideranças políticas do Agreste.
RONALDO LESSA TAMBÉM NÃO ABRIU MÃO
Do outro lado está Ronaldo Lessa.
Na manhã de quinta-feira, poucas horas antes das sucessivas atas que alteraram o cenário da aliança, o atual vice-governador voltou a se apresentar publicamente como candidato a vice na chapa de JHC, conforme vídeo em poder da Tribuna.
Lessa estava amparado por uma decisão formal de seu próprio partido.
A Convenção Estadual do PDT aprovou seu nome para a vice e a ata transmitida à Justiça Eleitoral às 11h40 registrou que a legenda havia recebido proposta de coligação com JHC para governador e com o PDT responsável pela indicação do vice.
O nome escolhido foi Ronaldo Lessa.
Poucas horas depois, porém, outra ata trouxe uma composição diferente.
A Federação União Progressista transmitiu documento às 18h27 reservando ao PL a indicação do vice - embora, naquele momento, ainda mantivesse o PDT entre os integrantes da coligação.
E às 23h58 veio o documento do próprio Partido Liberal.
Foi ainda mais incisivo.
PL EXIGE A INDICAÇÃO
A Executiva Estadual do PL estabeleceu duas condições centrais.
A primeira é que o candidato ao Governo seja exclusivamente JHC.
A segunda é que o cargo de vice-governador seja indicado pelo Partido Liberal.
A ata qualifica essa última definição como “condição de validade e eficácia” da coligação majoritária.
Ao mesmo tempo, o documento relaciona os partidos que deverão integrar a aliança: Federação União Progressista, Federação Renovação Solidária, PL, Federação PSDB Cidadania e Podemos.
O PDT de Ronaldo Lessa não consta dessa relação.
Tem-se, portanto, um quadro inusitado.
Ronaldo Lessa foi indicado pelo PDT e diz ser o vice.
Célia Rocha, do PSDB, rejeita a suplência e avisa que só aceita participar da chapa se for vice.
E o PL afirma documentalmente que a indicação da vice lhe pertence.
UMA CADEIRA, TRÊS MOVIMENTOS
A vice de JHC tornou-se, assim, um dos maiores pontos de tensão da composição oposicionista em Alagoas.
Ronaldo Lessa chegou primeiro ao posto.
Depois de romper com o grupo político do governador Paulo Dantas e se reaproximar de JHC, passou a construir publicamente a permanência na vice em uma nova chapa.
Seu partido chegou à convenção e homologou essa escolha.
Célia Rocha, por sua vez, tem peso político em Arapiraca e no Agreste e vinha sendo citada há meses como alternativa para a mesma vaga.
Agora decidiu tornar pública sua posição: segunda suplência do Senado, não. Vice-governadora, sim.
Por cima dessas duas movimentações aparece o PL, parceiro considerado fundamental na montagem da chapa após a escolha de Alfredo Gaspar para concorrer à vice-presidência da República.
O partido abriu mão de ter Alfredo concorrendo ao Senado em Alagoas, mas reservou espaços importantes no novo desenho.
Além de indicar Luiz Romero para a primeira suplência de Arthur Lira, o PL deixou aberta a possibilidade de participar da definição da segunda candidatura ao Senado e, principalmente, exigiu a indicação do vice de JHC.
CÉLIA AINDA CRIA OUTRO PROBLEMA NA ATA
A recusa de Célia produz um efeito adicional.
A ata não diz genericamente que a segunda suplência de Arthur Lira pertence à Federação PSDB Cidadania.
Ela condiciona a escolha a um nome específico: Célia Maria Barbosa Rocha.
Se Célia mantiver a decisão anunciada nesta sexta-feira de não aceitar a suplência, essa parte da composição também terá de ser revista.
Assim, a mesma ata que tentou organizar a majoritária abriu, menos de 24 horas depois, pelo menos duas frentes de negociação:
quem será o vice de JHC?
E quem ocupará a segunda suplência de Arthur Lira se Célia Rocha mantiver a recusa?
O documento admite mudanças posteriores. A Executiva do PL manteve poderes para fazer alterações, substituições e preencher vagas remanescentes.
Há, portanto, espaço para solução política.
O que não há mais é espaço para dizer que a chapa está definida.
O cenário desta sexta-feira é exatamente o oposto.
Ronaldo Lessa não abriu mão.
Célia Rocha acaba de dizer que só quer a vice.
E o PL registrou que a indicação da vice é sua.
JHC tem uma chapa para montar.
E, neste momento, parece ter candidatos e partidos demais disputando uma única cadeira.
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