Política

Operação da PF em MT investiga desvio por meio de fundos do Banco Master

Alvos incluem ex-governador e desembargador; acordo de R$ 308 milhões está sob investigação.

Estadao Conteudo 06/08/2026
Operação da PF em MT investiga desvio por meio de fundos do Banco Master
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Operação da Polícia Federal deflagrada nesta quinta-feira, 6, no Mato Grosso, investiga suspeitas de desvios de recursos públicos por meio de fundos controlados pelo Banco Master , os quais foram utilizados em um acordo milionário do governo estadual com a telefônica Oi .

Entre os alvos dos 25 mandados de busca e apreensão da Operação Heritage estão o ex-governador do Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), e o desembargador Ricardo Gomes de Almeida, do Tribunal de Justiça do Mato Grosso.

Mendes renunciou ao cargo para concorrer ao Senado nas eleições de outubro. Até o momento, ele não se manifestou sobre a operação, e a reportagem tentou localizar a defesa do desembargador. A Oi e o Banco Master também não comentaram.

Os mandados foram expedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino , a partir de representações encaminhadas pelo ex-governador Pedro Taques (PSB), que é adversário de Mendes na disputa ao Senado.

Os principais casos do Banco Master no STF tramitam sob a relatoria do ministro André Mendonça . A decisão de Dino é sigilosa.

O governo do Mato Grosso firmou um acordo com a Oi em 2024 para pagar R$ 308,1 milhões referentes a restituições tributárias que eram exigidas pela empresa na Justiça desde 2009.

A partir deste acordo, segundo a investigação, foi adotada uma “engenharia financeira” para que os valores chegassem a outros beneficiários finais, incluindo pessoas do entorno do ex-governador.

A denúncia aponta que o grupo utilizou um sistema de “fundos em cascata” para que, ao fim, o dinheiro chegasse às empresas de Luis Antonio Mendes , filho do ex-governador, de Fabio Garcia , ex-chefe da Casa Civil, e de Fernando Robério Garcia , pai de Fábio Garcia, além de outros aliados de Mauro Mendes.

Os R$ 308 milhões do acordo foram transformados em direitos creditórios, um ativo financeiro que representa o que uma pessoa terá direito a receber no futuro.

O valor foi dividido igualmente entre os fundos Royal Capital e Lotte Word , ambos administrados e custodiados pelo Banco Master.

Com os recursos em caixa, o Lotte Word passou a comprar participações em outras empresas e fundos, entre os quais Golden Bird e Coliseu , que pertencem a pessoas do entorno do ex-governador Mauro Mendes.

O acordo com a Oi foi prorrogado pelo então advogado Ricardo Almeida , que também teve participação nos fundos que ganharam os direitos creditórios. Ele foi nomeado desembargador, por escolha de Mauro Mendes, em novembro de 2025, e é outro alvo da operação.