Política

Defesa de Bolsonaro recorre contra restrição a visitas e manifestações políticas

Recurso busca reverter decisão do STF sobre censura e direitos políticos do ex-presidente.

Estadao Conteudo 24/07/2026
Defesa de Bolsonaro recorre contra restrição a visitas e manifestações políticas
O ex-presidente Jair Bolsonaro - Foto: Reprodução

O ex-presidente Jair Bolsonaro deseja voltar a participar da corrida eleitoral. Nesta sexta-feira, 24, a defesa apresentou recurso contra a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu manifestações político-eleitorais e visitas.

A decisão de Moraes, tomada em 17 de julho, suspendeu por 30 dias o direito de visitas de Bolsonaro. A determinação ocorreu após o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgar nas redes sociais uma "carta aos brasileiros" escrita por Jair. O ministro considerou a ação como uma violação à proibição de uso de redes sociais imposta ao ex-presidente.

Além disso, o ministro impôs duas proibições adicionais: a de receber visitas "com finalidade político-eleitoral" até o fim das eleições de 2026 e a de divulgar "manifestos", inclusive por meio de terceiros, independentemente do meio utilizado.

No recurso, a defesa argumenta que a suspensão dos direitos políticos atinge apenas a capacidade eleitoral de Bolsonaro - ou seja, o direito de votar e ser votado - mantendo, assim, sua liberdade de pensamento e de manifestação de ideias. Segundo os advogados, Moraes teria ampliado o alcance da norma constitucional ao equiparar a suspensão à censura prévia sobre manifestações.

Os advogados citam como precedente o caso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso em 2018. De acordo com o recurso, um de seus advogados leu publicamente, em frente à sede da Polícia Federal de Curitiba, uma carta em que Lula indicava Fernando Haddad (PT) como seu sucessor na disputa presidencial daquele ano. O documento também menciona que Lula recebeu, durante o período em que esteve preso, visitas de políticos e ex-chefes de Estado, sem que estas fossem consideradas incompatíveis com a pena.

A defesa argumenta ainda que a proibição de "visitas com finalidade político-eleitoral" utiliza um conceito indeterminado, sem critérios objetivos que permitam a Bolsonaro saber quais encontros seriam vedados. Para os advogados, essa imprecisão viola o princípio da segurança jurídica e deixa a avaliação sobre o caráter das visitas sujeita a interpretações subjetivas.

Por fim, a defesa pede que Moraes reconsidere a decisão e retire as restrições impostas. Caso o ministro mantenha a decisão, os advogados requerem que o recurso seja julgado pela Primeira Turma do STF.